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O fungo marinho que pode transformar para sempre o futuro do plástico

Pesquisadores descobriram um microrganismo que é capaz de degradar um dos plásticos mais difíceis de reciclar. A novidade ainda está em fase de testes, mas já levanta esperanças de uma nova era no combate à poluição global.

Em meio à crise ambiental provocada pelo acúmulo de resíduos plásticos, uma descoberta feita na Austrália pode representar um divisor de águas. Um grupo de cientistas identificou um fungo marinho capaz de decompor o polipropileno — um dos plásticos mais resistentes à reciclagem. O avanço pode ser o início de uma revolução silenciosa, mas poderosa, na luta contra a poluição.

 

Um avanço biotecnológico promissor

Plasticos Marinos (2)
© Unsplash – Naja Bertolt Jensen.

A pesquisa foi conduzida pela Universidade de Sydney, sob liderança do professor Ali Abbas. O fungo foi isolado a partir de amostras marinhas e submetido a testes em laboratório. Os resultados iniciais superaram todas as expectativas: enquanto fungos terrestres degradaram cerca de 21% do polipropileno em 30 dias, a nova cepa marinha alcançou quase 27% em condições semelhantes.

O polipropileno (conhecido como PP5) está presente em diversos objetos do cotidiano, como tampas de garrafa, embalagens plásticas e cabides. Apesar de sua presença massiva, apenas uma pequena fração desse material é reciclada com sucesso. Na Austrália, por exemplo, ele representa 20% dos plásticos usados em embalagens, mas somente 8% são de fato reciclados.

A dificuldade se deve à sua estrutura química complexa e à contaminação com outros resíduos, o que frequentemente leva o material a aterros sanitários ou diretamente aos oceanos.

 

Como o fungo “come” o plástico

O processo desenvolvido pelos pesquisadores envolve duas etapas. Primeiro, o plástico é exposto a luz ultravioleta ou calor para simular seu desgaste natural. Depois, ele é colocado em uma solução líquida onde o fungo marinho libera enzimas que quebram as cadeias moleculares do plástico, iniciando sua degradação.

O diferencial dessa técnica está na eficiência energética: o fungo age em temperatura ambiente, sem a necessidade de condições extremas, o que torna o método mais sustentável e viável do que os processos industriais tradicionais.

“Não é mágica, é biotecnologia aplicada de forma inteligente”, explica o professor Abbas. Criar o ambiente certo para que os fungos atuem é a chave para o sucesso desse processo.

 

Um passo importante, mas não a solução definitiva

Apesar do entusiasmo, os próprios cientistas alertam que este não é um milagre ambiental. Segundo Abbas, essa biotecnologia deve ser integrada a uma abordagem mais ampla, que inclua redução de resíduos, reaproveitamento de materiais e incentivo à economia circular.

A equipe ainda está em fase de aprimoramento do processo e busca parceiros na indústria para ampliar o alcance da tecnologia. Se essa cooperação se concretizar, o pequeno fungo marinho poderá se tornar um grande aliado na luta contra o plástico — um avanço modesto, mas com enorme impacto potencial.

 

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