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Ciência

O gene oculto que faz algumas pessoas sentirem o cheiro de barata

Nem todo mundo consegue perceber o cheiro de barata, e a razão para isso está escondida no DNA humano. A ciência mostra que uma mutação genética define quem tem essa estranha habilidade sensorial e quem nunca sentirá o odor, descrito como metálico, rançoso ou semelhante a peixe em decomposição.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Você já ouviu alguém dizer que sente cheiro de barata mesmo sem ver nenhuma por perto? Para muitos, isso parece impossível, mas a ciência prova que não é imaginação. Essa percepção olfativa peculiar não é compartilhada por todos: apenas pessoas com uma versão funcional de um gene específico possuem essa capacidade. O fenômeno, intrigante e pouco discutido, revela como detalhes genéticos podem moldar nossas experiências sensoriais.

A ciência por trás dessa habilidade incomum

O gene oculto que faz algumas pessoas sentirem o cheiro de barata
© Pexels

As baratas liberam uma substância chamada trimetilamina (TMA), usada para sua comunicação. Esse composto químico possui um odor forte e desagradável, frequentemente comparado ao de peixe estragado. Para que o ser humano consiga perceber esse cheiro, é necessário um receptor olfativo especial, codificado pelo gene TAAR5, localizado no cromossomo 6.

Contudo, nem todas as pessoas contam com esse gene ativo. Uma simples mutação pode comprometer ou até eliminar a capacidade de sentir esse odor. Nesse caso, o indivíduo permanece completamente insensível ao cheiro liberado pelas baratas, mesmo que elas estejam próximas.

Por que algumas pessoas nunca sentem esse cheiro

A detecção da TMA segue um padrão de herança genética. Basta possuir uma cópia funcional do gene TAAR5 para perceber o odor. Já aqueles que herdam duas cópias alteradas — os chamados homozigotos recessivos — são totalmente incapazes de sentir o cheiro, formando uma pequena parcela da população.

Pesquisas apontam que cerca de 7% das pessoas no mundo apresentam anosmia específica para essa substância. Ou seja, não conseguem detectar a presença de baratas pelo cheiro, mesmo que ele esteja fortemente presente no ambiente.

Como é esse cheiro que poucos conseguem notar

Descrever o odor de barata para quem nunca o sentiu é tarefa difícil. Quem possui a habilidade relata impressões muito particulares: notas metálicas, um fundo oleoso e rançoso, aromas lembrando formol ou produtos químicos, além da forte semelhança com peixe em decomposição.

Para alguns, a experiência é tão intensa que o cheiro parece se misturar ao gosto, criando uma percepção sensorial completa. Há até quem afirme funcionar como um “radar humano”, capaz de detectar a presença de baratas à distância apenas pelo odor.

Outros animais também têm cheiros detectáveis

Essa capacidade não se limita às baratas. Certas pessoas relatam conseguir sentir odores característicos de formigas, especialmente quando mortas. Essas variações individuais refletem a complexidade do olfato humano, que conta com mais de 400 receptores diferentes.

Pequenas alterações genéticas moldam um universo sensorial distinto para cada indivíduo, explicando por que o que é evidente para uns pode ser completamente imperceptível para outros. Além disso, fatores como idade, experiências passadas e até estado emocional podem influenciar na forma como percebemos aromas.

A importância científica dessa descoberta

Estudar como funcionam os receptores olfativos humanos vai muito além da curiosidade. Essas pesquisas podem gerar avanços práticos em áreas como a medicina, com testes diagnósticos baseados em alterações do olfato, e na indústria alimentícia, ajustando produtos ao perfil sensorial de diferentes consumidores.

Compreender as diferenças genéticas na percepção de odores também ajuda a explicar por que repelentes ou tratamentos podem surtir efeito em algumas pessoas, mas não em outras. O estudo do gene TAAR5 mostra que até algo tão incômodo quanto o cheiro de barata pode ser uma chave para decifrar segredos complexos da biologia humana.

[Fonte: Estado de Minas]

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