A ideia de perder a memória com o passar dos anos é uma das maiores preocupações relacionadas ao envelhecimento. Mas o que muitos não sabem é que o declínio cognitivo pode começar silenciosamente entre 20 e 30 anos antes dos primeiros sinais. Para o neurologista David Pérez Martínez, isso muda completamente a forma como devemos encarar a prevenção — e coloca um hábito simples no centro da estratégia.
O cérebro começa a mudar muito antes dos sintomas

Doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer, ainda têm causas pouco compreendidas. Sabe-se que fatores como genética e acúmulo de proteínas no cérebro estão envolvidos, mas o processo completo ainda é um quebra-cabeça.
O maior desafio é que essas alterações começam décadas antes de qualquer sintoma visível, dificultando tanto o diagnóstico precoce quanto o desenvolvimento de tratamentos eficazes.
Avanços recentes trazem esperança
Nos últimos anos, houve progresso importante no diagnóstico.
Antes, identificar Alzheimer era uma estimativa com margem de erro significativa. Hoje, com o uso de biomarcadores em exames de sangue, a precisão já supera 95%.
Além disso, novos medicamentos focados na proteína amiloide conseguem retardar a progressão da doença, especialmente em fases iniciais.
O hábito mais importante: movimento diário
Entre todas as estratégias preventivas, uma se destaca acima das demais: a atividade física.
Segundo o neurologista, se fosse preciso escolher apenas um fator para proteger o cérebro, seria evitar o sedentarismo.
E não estamos falando de treinos intensos.
Atividades simples já fazem diferença:
- Caminhar
- Subir escadas
- Fazer tarefas domésticas
- Manter o corpo em movimento ao longo do dia
Embora a recomendação comum seja atingir 10 mil passos diários, estudos mostram que a partir de 3 mil passos já existem benefícios mensuráveis.
O que o exercício faz dentro do cérebro

O impacto do movimento vai muito além do corpo.
A atividade física estimula a neurogênese — a formação de novos neurônios — especialmente no hipocampo, região essencial para memória e aprendizado.
Além disso, o exercício:
- Melhora a circulação sanguínea cerebral
- Aumenta o fornecimento de oxigênio e nutrientes
- Reduz inflamações
- Fortalece a plasticidade cerebral
Esses efeitos ajudam a manter o cérebro mais resiliente ao longo do tempo.
Prevenção começa cedo — e nunca é tarde
Especialistas destacam que a saúde cerebral é construída ao longo da vida.
Fatores importantes incluem:
- Educação e estímulo cognitivo
- Vida social ativa
- Estabilidade emocional
- Evitar álcool em excesso e tabaco
Mesmo em idades mais avançadas — ou após o diagnóstico — mudanças no estilo de vida ainda podem trazer benefícios.
Uma estratégia que vai além do exercício
Embora o movimento seja o pilar central, a prevenção mais eficaz é multifatorial.
O estudo Finger demonstrou que combinar diferentes hábitos potencializa os resultados:
- Exercício físico regular
- Alimentação equilibrada
- Treinamento cognitivo
- Controle de fatores cardiovasculares
A alimentação também entra no jogo

Uma dieta de estilo mediterrâneo tem forte associação com a saúde do cérebro.
Ela inclui:
- Azeite de oliva
- Leguminosas
- Peixes ricos em ômega-3
- Frutas e oleaginosas
Por outro lado, alimentos ultraprocessados, gorduras saturadas, álcool excessivo e tabaco aumentam o risco de declínio cognitivo.
Pequenos hábitos, grandes impactos
Um ponto importante destacado pelos especialistas é a relação entre dose e benefício: quanto mais ativo você for, maior o impacto positivo.
Mas o mais importante é começar.
Mesmo pequenas mudanças já contribuem para proteger o cérebro.
No fim das contas, a “fórmula secreta” não está em soluções complexas — mas em algo simples, constante e acessível: manter o corpo em movimento ao longo da vida.
[ Fonte: La Nación ]