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Ciência

Estudo alerta: vapes, tabaco aquecido e sachês de nicotina também elevam riscos ao coração

Cigarro comum não é o único vilão cardiovascular. Um levantamento de pesquisadores da Europa e dos Estados Unidos reuniu evidências indicando que cigarros eletrônicos, tabaco aquecido, shishas e sachês de nicotina expõem o coração e os vasos sanguíneos a efeitos tóxicos. A ideia de “alternativas seguras” perde força.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Por anos, a queda do tabagismo em muitos países pressionou a indústria a apostar em novos formatos de consumo de nicotina — com embalagens modernas, sabores e forte marketing digital. O argumento era simples: seriam opções “menos nocivas” do que o cigarro tradicional. Agora, uma revisão publicada no European Heart Journal aponta que, independentemente do formato, a nicotina pode prejudicar o sistema cardiovascular, acendendo um alerta para médicos, famílias e reguladores.

O que o novo trabalho analisou

O cigarro convencional, feito com tabaco queimado, continua sendo o produto mais estudado quando o assunto é risco de infarto, AVC e doença vascular. Mas o debate mudou nos últimos anos, à medida que vapes, tabaco aquecido, shishas e sachês de nicotina se espalharam, principalmente entre jovens.

No novo relatório, cientistas de Alemanha, Itália, Estados Unidos, Suíça e Reino Unido compilaram resultados de estudos clínicos e dados epidemiológicos para avaliar o impacto cardiovascular desses produtos. A conclusão central é direta: todos os formatos que entregam nicotina ao organismo podem afetar coração e vasos sanguíneos — e não há base sólida para chamar qualquer um deles de “seguro” do ponto de vista cardiovascular.

“Nicotina não é inocente”, dizem autores

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© Talahria Jensen – Unsplash

Um dos coautores, Thomas Münzel, do Centro Médico Universitário de Mainz (Alemanha), afirma que o problema vai além do vício: a nicotina atua como uma toxina cardiovascular direta. Segundo ele, em diferentes tipos de consumo — cigarro, vape, tabaco aquecido e sachês — surgem sinais consistentes como elevação da pressão arterial e prejuízos ao funcionamento dos vasos.

O pesquisador também defende que a narrativa de “nicotina mais segura” deve ser abandonada e pede uma regulação unificada na Europa que inclua todos os produtos de nicotina, com foco especial na proteção de adolescentes, hoje alvo preferencial de estratégias de marketing.

Como surgiu o “mito” das alternativas

Nas últimas décadas, campanhas de saúde pública e restrições legais reduziram o consumo de cigarros em vários lugares. Nesse cenário, produtos “alternativos” ganharam espaço.

Os cigarros eletrônicos, disponíveis desde 2007, foram vendidos como tecnologia “moderna” e supostamente mais limpa. Shishas, apesar de antigas em algumas culturas, voltaram à moda em cafés e bares, associadas a um uso social que muitos consideravam inofensivo. Já os sachês de nicotina e outros produtos orais sem combustão se tornaram populares por serem discretos e fáceis de usar.

A combinação de sabores frutados, cores chamativas e presença forte nas redes sociais ajudou a consolidar a impressão de que esses produtos reduziriam o dano — principalmente entre quem nunca fumou cigarro tradicional.

Quais são os riscos cardiovasculares apontados

A revisão no European Heart Journal descreve mecanismos recorrentes associados ao consumo de nicotina, seja por via inalada ou oral. Entre os efeitos observados em diferentes estudos, aparecem:

  • Aumento sustentado da pressão arterial

  • Impacto no endotélio, a camada interna que reveste os vasos sanguíneos

  • Inflamação e endurecimento das artérias, com maior chance de formação de placas

  • Maior risco de infarto, AVC e doença vascular periférica, independentemente do formato

Os pesquisadores também destacam que até pessoas expostas ao vapor ou aerossol de alguns dispositivos podem apresentar sinais de dano vascular, reforçando a preocupação com ambientes fechados e uso coletivo.

O que especialistas da América Latina recomendam

Uso Regular De Vape
© Saqi Jugno – Pexels

Em entrevista ao Infobae, o cardiologista argentino Guido Bergman, da Associação Argentina de Tabacologia e coordenador de cessação tabágica no ICBA, disse ver o documento como um reforço importante. Ele aponta que, após perder consumidores, a indústria investiu em novos sistemas de entrega de nicotina para criar dependência em públicos mais jovens.

Bergman afirma que a nicotina pode causar disfunção vascular, favorecer trombose e provocar vasoconstrição, com potencial de levar a eventos graves mesmo sem combustão.

Já Guillermo Espinosa, coordenador do programa de controle do tabaco do Hospital Italiano de Buenos Aires, diz que os resultados são coerentes com o que sociedades médicas e organizações de saúde vêm defendendo na região. Ele alerta para o crescimento do consumo entre estudantes, impulsionado pela facilidade de acesso e pelos sabores — e lembra que muitos iniciam por esses produtos antes mesmo de experimentar cigarro comum, por acreditarem que “não faz mal”.

Um recado final: informação e regulação

A mensagem do conjunto de evidências é clara: não existe atalho “cardiologicamente seguro” para consumir nicotina. Para especialistas, o caminho passa por melhor informação ao público, ações para desestimular o consumo entre jovens e apoio a quem já usa esses produtos — incluindo acompanhamento médico e estratégias de cessação, sem normalizar o risco.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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