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Ciência

O universo pode não ter fim — e a parte que conseguimos enxergar já é tão gigantesca que desafia qualquer tentativa humana de compreensão

Quando pensamos no universo, a tendência é imaginar um espaço com começo, meio e fim. Mas a ciência moderna aponta para algo muito mais desconcertante: talvez o cosmos simplesmente não tenha bordas. Ainda assim, existe um limite para aquilo que conseguimos observar — e ele é muito maior do que parece.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A ideia de um universo infinito costuma provocar fascínio e desconforto ao mesmo tempo. Afinal, estamos acostumados a pensar em fronteiras, paredes e limites físicos. Mas quando o assunto é o cosmos, as regras da experiência cotidiana deixam de funcionar.

Foi exatamente sobre isso que a matemática e astrônoma espanhola Laura Toribio falou durante uma participação no programa Serendipias. Especialista em mapeamento espacial e observação astronômica, ela explicou por que os cientistas ainda não conseguem afirmar se o universo possui um “fim” — e o que realmente significa o chamado universo observável.

A ciência ainda não encontrou uma “borda” do universo

Um cálculo recente sugere que o fim do universo pode chegar antes
© https://x.com/eluniversocom

Segundo Toribio, atualmente não existe nenhuma evidência científica capaz de demonstrar que o universo tenha uma fronteira física.

Em outras palavras: até onde sabemos, o cosmos pode continuar indefinidamente além daquilo que conseguimos detectar com telescópios.

A pesquisadora explica que muitas pessoas sentem certo desconforto diante da possibilidade de um universo infinito. A ideia de algo sem começo visível ou sem um limite concreto desafia a própria forma como o cérebro humano entende espaço e dimensão.

Mesmo assim, a ciência consegue definir um outro tipo de fronteira: a do universo observável.

O que é o universo observável

O universo observável corresponde à parte do cosmos cuja luz teve tempo suficiente para chegar até nós desde o início do universo.

Parece simples, mas esse conceito envolve um detalhe fundamental: a luz, embora extremamente rápida, não viaja instantaneamente.

Toribio usa um exemplo bastante didático. Se o Sol fosse uma gigantesca lâmpada sendo ligada neste momento, a luz demoraria cerca de oito minutos para alcançar a Terra.

Isso acontece porque a luz percorre o espaço em uma velocidade finita — aproximadamente 300 mil quilômetros por segundo.

c=300000 km/s

No cotidiano, temos a impressão de que a luz aparece imediatamente ao apertar um interruptor. Mas em escalas astronômicas, até mesmo a velocidade da luz leva tempo para cruzar o espaço.

Olhar para o espaço é olhar para o passado

Esse detalhe produz uma das consequências mais fascinantes da astronomia moderna: observar galáxias distantes significa enxergar o passado do universo.

A luz emitida por estrelas e galáxias há bilhões de anos continua viajando pelo cosmos até hoje. Quando ela finalmente chega aos telescópios terrestres, os cientistas veem esses objetos como eram no passado — não como são atualmente.

Durante a entrevista, o apresentador Ignacio Crespo apresentou um exemplo curioso: se o universo tivesse surgido há apenas sete minutos, ainda não conseguiríamos enxergar o Sol, porque sua luz leva oito minutos para chegar até aqui.

A analogia ajuda a entender por que existe um limite para aquilo que somos capazes de observar.

O universo tem 13,8 bilhões de anos — mas conseguimos enxergar muito além disso

Os cientistas calculam que o universo surgiu há cerca de 13,8 bilhões de anos. Em teoria, isso poderia indicar que só conseguiríamos observar objetos localizados até essa distância. Mas o cosmos funciona de uma maneira bem mais complexa.

Segundo a matemática Laura Toribio, o chamado universo observável possui um raio estimado em aproximadamente 46 bilhões de anos-luz. Isso acontece porque o universo não permaneceu estático desde o Big Bang — ele continua se expandindo constantemente.

Na prática, enquanto a luz das galáxias mais distantes viajava pelo espaço durante bilhões de anos, o próprio tecido do universo também aumentava de tamanho. Como consequência, essas galáxias hoje estão muito mais distantes do que estavam quando emitiram a luz que finalmente chegou até nós.

Um limite que muda constantemente

Isso significa que o universo observável não é fixo. À medida que o tempo passa, mais luz de regiões distantes consegue chegar até nós, ampliando lentamente a parte do cosmos que conseguimos enxergar.

Ainda não sabemos se existe algo além desse horizonte observável — e provavelmente continuará assim por muito tempo.

Mas justamente essa ausência de respostas definitivas é o que torna o universo tão intrigante para cientistas e fascinante para qualquer pessoa que tente imaginar a verdadeira escala do cosmos.

 

[ Fonte: Cadena Ser ]

 

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