Quando uma animação se transforma em fenômeno global, a pergunta surge quase automaticamente: “qual é o próximo passo?”. No caso de As guerreiras do K-Pop, o debate ganhou força nas redes, nos bastidores da indústria e entre os fãs. Franquia, expansão de universo, produtos derivados — tudo parece possível. Mas antes de qualquer anúncio oficial, a criadora da obra tratou de deixar um limite muito claro, que vai contra uma tendência forte de Hollywood.
A obsessão de Hollywood em transformar tudo em “real”
A história do cinema mostra um padrão difícil de ignorar. Sempre que uma animação alcança grande sucesso, cedo ou tarde surge a ideia de adaptá-la para live-action. A lógica é simples: se funcionou desenhado, “funcionará ainda mais” com atores reais. Pelo menos em teoria.
Essa mentalidade foi consolidada ao longo de décadas e virou modelo de negócio principalmente a partir dos anos 1990, quando grandes estúdios passaram a revisitar seus próprios catálogos em versões com atores de carne e osso. Nem sempre o resultado agradou crítica ou público, mas a prática se normalizou a ponto de parecer inevitável.
Por isso, desde que As guerreiras do K-Pop explodiu na Netflix, muitos assumiram que uma eventual continuação acabaria seguindo esse caminho. A pressão não veio apenas do mercado, mas também de parte do público, curioso para imaginar como aquelas personagens funcionariam “no mundo real”. É justamente aí que entra a linha vermelha traçada por sua criadora.

A condição inegociável de Maggie Kang
Maggie Kang, cocriadora do filme, foi direta: se houver continuação, ela continuará sendo animação. Sem exceções. Para ela, As guerreiras do K-Pop nasceu a partir da linguagem animada — não como uma etapa intermediária para algo “mais realista”, mas como a forma ideal de contar aquela história.
Segundo Kang, levar personagens como Rumi para o live-action significaria perder justamente o que torna o filme único: a expressividade exagerada, o timing cômico, o ritmo visual e a liberdade criativa que só a animação permite. Não se trata apenas de estética, mas de narrativa. O universo funciona porque não está preso às regras físicas e emocionais do mundo real.
Essa posição também revela uma preocupação menos óbvia: a de não diluir a identidade da obra ao tentar adaptá-la a outro formato. Em vez de “traduzir” a história para agradar a uma lógica industrial, Kang prefere proteger o DNA criativo que fez o filme se destacar em meio a tantas produções.
Mais histórias, outro foco — mas o mesmo formato
Isso não significa que o universo esteja fechado. Pelo contrário. A própria criadora já indicou que uma continuação poderia explorar personagens que ficaram em segundo plano no primeiro filme, como Zoey e Mira. Muitas de suas histórias foram reduzidas para manter o ritmo e a duração do longa original.
Uma sequência, portanto, não precisaria repetir a mesma estrutura nem girar exclusivamente em torno do sucesso musical de Golden. Há espaço para aprofundar relações, conflitos e até mudar o ponto de vista narrativo. Tudo isso sem abandonar a animação como base.
Essa escolha pode parecer óbvia do ponto de vista artístico, mas no contexto atual da indústria ela soa quase como um gesto de resistência. Defender que uma animação continue sendo animação, mesmo após um sucesso massivo, não é tão comum quanto deveria.
Por enquanto, não há data, formato nem confirmação oficial de uma continuação. O que já está claro é o que ela não será. E talvez essa clareza seja justamente o que garante que, se As guerreiras do K-Pop voltarem, elas mantenham aquilo que as tornou especiais desde o início.