A FDA deu um passo histórico na luta contra o câncer de mama ao aprovar o primeiro fármaco baseado em degradação proteica. O medicamento, chamado vepdegestrant (comercializado como Veppanu), foi desenvolvido pelas farmacêuticas Arvinas e Pfizer.
A nova terapia é indicada para pacientes adultos com câncer de mama avançado ou metastático com receptores de estrogênio positivos (ER+), HER2 negativo e mutação no gene ESR1 — um dos principais mecanismos de resistência aos tratamentos hormonais.
O desafio da resistência no câncer de mama

Entre os subtipos mais comuns de câncer de mama avançado, os tumores ER+/HER2- costumam responder inicialmente à terapia endócrina. No entanto, com o tempo, muitos desenvolvem mutações no gene ESR1.
Essas alterações permitem que o tumor continue crescendo mesmo na presença de medicamentos que deveriam bloqueá-lo. Estima-se que entre 40% e 50% das pacientes desenvolvam esse tipo de resistência, o que limita drasticamente as opções terapêuticas.
É justamente nesse ponto que o novo fármaco entra em cena.
Como funciona a nova tecnologia PROTAC
O vepdegestrant pertence a uma classe inovadora chamada PROTAC — sigla para “degradadores proteicos direcionados”.
Em vez de apenas bloquear uma proteína defeituosa, como fazem muitos medicamentos tradicionais, essa tecnologia vai além: ela marca essa proteína para ser destruída pelo próprio sistema celular.
No caso do câncer de mama com mutação ESR1, o alvo é o receptor de estrogênio alterado. Ao eliminá-lo, o medicamento impede que o tumor continue recebendo sinais de crescimento.
É a primeira vez que um tratamento desse tipo recebe aprovação da FDA — um marco importante na medicina de precisão.
Resultados que chamaram atenção

A aprovação se baseou nos dados do estudo clínico VERITAC-2, que envolveu 624 pacientes em 25 países. Entre elas, 270 apresentavam mutação ESR1 — o grupo mais difícil de tratar.
Os resultados foram expressivos:
- redução de 43% no risco de progressão da doença ou morte
- sobrevida livre de progressão de 5 meses (contra 2,1 meses com o tratamento padrão)
- taxa de resposta objetiva de 19% (contra 4% com fulvestranto)
Além disso, o novo medicamento é administrado por via oral, o que representa uma vantagem prática em relação ao fulvestranto, que exige aplicação intramuscular.
Segurança e efeitos colaterais
De acordo com os dados disponíveis, a maioria dos efeitos adversos foi considerada leve a moderada (graus 1 e 2).
Entre os mais comuns estão:
- fadiga e náuseas
- alterações em exames laboratoriais (como enzimas hepáticas e células sanguíneas)
- dor musculoesquelética
- diminuição do apetite
O tratamento também exige atenção a possíveis alterações cardíacas, como prolongamento do intervalo QT, além de riscos durante a gravidez.
Por isso, recomenda-se o uso de métodos contraceptivos durante o tratamento e por um período após sua conclusão.
Um novo caminho na oncologia

A aprovação do vepdegestrant não representa apenas mais uma opção terapêutica — ela inaugura uma nova forma de tratar doenças.
Ao utilizar o próprio sistema de eliminação celular, os degradadores proteicos oferecem uma abordagem mais direta e potencialmente mais eficaz contra alvos difíceis.
Para pacientes com câncer de mama resistente, isso pode significar mais tempo, mais opções e, no futuro, tratamentos mais personalizados.
Ainda há muito a ser estudado, especialmente sobre o uso dessa tecnologia em outras doenças. Mas uma coisa já está clara: a era de “desligar” proteínas causadoras de doenças pode estar apenas começando.
[ Fonte: Infobae ]