O avanço da inteligência artificial tem sido meteórico — e polarizador. Para uns, é o futuro brilhante da tecnologia. Para outros, uma ameaça real ao que entendemos como humanidade e arte. O lançamento do modelo Veo 3, da Google, reacendeu esse debate com força. O que ele faz impressiona… mas também inquieta. E para muitos, a pergunta que paira no ar é: ainda faz sentido criar?
O que é o Veo 3 e por que tanta polêmica?
A Google anunciou recentemente o Veo 3, sua nova geração de IA para criação de vídeos. O modelo gera imagens em movimento com realismo assustador e já está sendo testado para uso em áreas como games, vídeos do YouTube, marketing e entretenimento.
Mas nem todo mundo está celebrando. Em fóruns como o subreddit r/artificialintelligence, usuários estão expressando não apenas ceticismo, mas angústia genuína. Um post viral desabafava: “Estou à beira de um colapso mental. Se tudo pode ser feito por IA, o que sobra pra gente?”
Uma crise existencial digital
I did more tests with Google's #Veo3. Imagine if AI characters became aware they were living in a simulation! pic.twitter.com/nhbrNQMtqv
— Hashem Al-Ghaili (@HashemGhaili) May 21, 2025
Os comentários alarmados não se limitam à técnica da ferramenta, mas à ideia do esvaziamento do valor humano na arte. Se vozes podem ser clonadas com perfeição, fotos manipuladas sem deixar vestígios e vídeos gerados em segundos, o que ainda é “real”?
“Criar música manualmente, atuar, desenhar wallpapers, fazer assets de jogos… tudo isso pode desaparecer?”, questionava um usuário. “Como saber se um comentário na internet é de uma pessoa ou um bot?” A ideia de autenticidade parece estar em risco, e isso está mexendo com muita gente.
Arte ou apenas imitação sofisticada?
Alguns críticos têm chamado o conteúdo gerado por IA de “AI slop” — algo como “gororoba de IA”. É conteúdo genérico, repetitivo, sem alma. E, segundo eles, estamos prestes a ser soterrados por isso.
No entanto, há quem veja nuances. O autor do artigo original afirma não estar nem no time do pânico, nem no da euforia. Para ele, sim, a IA está mudando tudo — mas isso não significa o fim da criatividade humana. Porque, no fim das contas, a arte que realmente importa é a que comunica algo significativo. E por enquanto, nenhuma IA consegue sentir ou ter algo próprio a dizer.
Ainda há esperança?
Estúdios e empresas podem até tentar substituir humanos por algoritmos, mas, em algum momento, precisarão admitir que o conteúdo que realmente toca as pessoas ainda vem de experiências humanas. Como já vimos em outras ondas de automação, os mais afetados serão os trabalhadores criativos — mas a arte, aquela que conecta, é mais difícil de matar.
E mesmo com todo esse progresso, as falhas continuam: a IA ainda acha que colocar cola na pizza é uma boa ideia. Talvez isso signifique que ainda temos alguns anos de vantagem.