Eles já dividiram palcos, protestos e bandeiras. Agora, vão compartilhar algo ainda maior: uma superprodução cinematográfica que mistura identidade, política e história. O anúncio pegou a indústria de surpresa e reuniu estrelas de peso diante e atrás das câmeras. No centro de tudo está uma narrativa que revisita as raízes de uma ilha marcada por controvérsias — e que pode marcar um novo capítulo para o cinema latino.
Um projeto ambicioso que une música, política e cinema

Bad Bunny dará um passo decisivo na carreira ao assumir seu primeiro papel protagonista no cinema. O artista porto-riquenho estrelará o longa “Porto Rico”, dirigido por René Pérez, conhecido mundialmente como Residente, que faz sua estreia na direção de um filme dessa magnitude.
A produção já nasce cercada de nomes consagrados. Javier Bardem, vencedor do Oscar, integra o elenco principal. Edward Norton, além de atuar, também participa como produtor executivo. Viggo Mortensen completa o trio de estrelas internacionais. Nos bastidores, o mexicano Alejandro González Iñárritu figura como um dos produtores executivos, enquanto o roteiro é assinado por Residente em parceria com Alexander Dinelaris, vencedor do Oscar por “Birdman”.
O projeto ainda está em fase inicial, mas a proposta já chama atenção: um “western caribenho épico” com forte carga histórica e dramática. A escolha do título — “Porto Rico”, grafia utilizada por autoridades americanas no fim do século XIX — indica que a narrativa mergulhará no período em que os Estados Unidos passaram a controlar a ilha.
A produção também conta com financiamento da Live Nation Studios, braço cinematográfico da gigante de eventos musicais.
A história da ilha no centro da narrativa
Porto Rico é um território não incorporado aos Estados Unidos, condição que há décadas gera debates sobre identidade e direitos civis. Seus cidadãos são americanos, mas não podem votar nas eleições presidenciais gerais e têm representação limitada no Congresso.
Residente afirmou que sempre sonhou em contar a história de seu país no cinema. Para ele, a trajetória da ilha foi frequentemente envolta em controvérsias e mal compreendida fora de suas fronteiras. O filme pretende revisitar esse passado com intensidade e honestidade, combinando drama histórico e linguagem poética.
A parceria entre Residente e Bad Bunny não é inédita. Além das colaborações musicais, ambos participaram ativamente de protestos sociais em Porto Rico, como as manifestações de 2019 que culminaram na renúncia do então governador Ricardo Rosselló. Agora, a militância e a arte voltam a se cruzar, desta vez nas telas.
O elenco internacional reforça o peso do projeto. Edward Norton destacou que o filme dialoga com produções que exploram o lado oculto da história americana, citando referências como “O Poderoso Chefão” e “Gangues de Nova York”. Segundo ele, a proposta combina drama visceral com reflexão histórica.
A consolidação de Bad Bunny no cinema
Embora seja um dos músicos mais populares do planeta — com bilhões de reproduções nas plataformas digitais e turnês que quebram recordes — Benito Antonio Martínez Ocasio já vinha ensaiando passos no audiovisual.
Ele apareceu na saga “Velozes e Furiosos”, participou da série “Narcos: México” e dividiu cenas com Brad Pitt em “Bullet Train”. Também esteve em produções como “Cassandro” e em projetos recentes de streaming. No entanto, “Porto Rico” marca sua estreia como protagonista absoluto em uma grande produção dramática.
Para Residente, o filme também representa um salto criativo. Apesar de dirigir videoclipes e fundar seu próprio estúdio, 1868 Studios, ele nunca comandou um longa-metragem dessa escala. O projeto une sua veia política à ambição cinematográfica.
Ainda há nomes do elenco a serem anunciados, o que mantém o clima de expectativa em torno da produção. A combinação de identidade nacional, elenco estrelado e narrativa histórica sugere um filme que pretende ultrapassar fronteiras culturais.
Se cumprir o que promete, “Porto Rico” pode se tornar não apenas um marco nas carreiras de seus protagonistas, mas também uma obra capaz de reabrir discussões sobre passado, pertencimento e o lugar da ilha na narrativa americana.
[Fonte: El País]