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Ciência

O James Webb encontrou algo inesperado em um visitante interestelar: gases raros demais para serem comuns no Sistema Solar

Um objeto vindo de outro sistema estelar acaba de revelar alguns de seus segredos mais intrigantes. Utilizando a capacidade sem precedentes do Telescópio Espacial James Webb, cientistas identificaram compostos químicos nunca antes detectados em um visitante interestelar, reforçando a ideia de que esses corpos carregam pistas valiosas sobre regiões remotas da galáxia.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Quando um objeto vindo de fora do Sistema Solar cruza nossa vizinhança cósmica, astrônomos do mundo inteiro entram em estado de alerta. Essas visitas são extremamente raras e representam uma oportunidade única de estudar materiais formados ao redor de outras estrelas. Foi assim com o misterioso Oumuamua, descoberto em 2017, e com o cometa 2I/Borisov, identificado em 2019.

Agora, um novo protagonista ocupa o centro das atenções: o cometa interestelar 3I/ATLAS. Embora ele já esteja deixando os arredores do Sol para trás, os dados coletados durante sua passagem continuam rendendo descobertas importantes. A mais recente delas envolve a primeira análise detalhada da composição química de um visitante interestelar realizada pelo Telescópio Espacial James Webb.

Uma assinatura química diferente de tudo que conhecemos

Estamos diante da possível descoberta do século? A NASA detecta pela primeira vez sinais de um elemento vital fora do Sistema Solar no cometa interestelar 3I/ATLAS
© NASA.

A descoberta foi possível graças ao instrumento MIRI (Mid-Infrared Instrument), especializado na observação do infravermelho médio. Esse equipamento permite identificar substâncias químicas por meio da forma como elas absorvem e refletem diferentes comprimentos de onda da luz.

Ao analisar o espectro gerado pelo cometa, os pesquisadores encontraram vapor d’água espalhado ao redor do núcleo, provavelmente liberado pela sublimação de grãos de gelo presentes em sua estrutura.

Mas o resultado mais surpreendente apareceu nas regiões mais próximas do núcleo. Ali, os cientistas detectaram metano e dióxido de carbono em concentrações incomuns.

A presença de dióxido de carbono já havia sido observada em outros corpos celestes, mas a identificação de metano em um objeto interestelar representa um marco inédito. É a primeira vez que esse composto é confirmado em um visitante vindo de outro sistema estelar.

Quantidades que desafiam os padrões do Sistema Solar

A descoberta seria relevante apenas pela presença do metano. No entanto, o que realmente chamou a atenção dos pesquisadores foi a proporção desses gases.

Comparados à quantidade de água presente no cometa, os níveis de metano e dióxido de carbono são muito superiores aos normalmente observados em cometas do Sistema Solar.

Isso sugere que o 3I/ATLAS se formou em um ambiente muito diferente daquele que deu origem aos corpos gelados que orbitam o Sol.

Para os cientistas, esse padrão químico reforça a hipótese de que o visitante tenha surgido em uma região extremamente distante de outro sistema planetário, preservando características que raramente encontramos em nossa vizinhança cósmica.

O papel do Sol na revelação do segredo

Cientistas querem criar um escudo espacial para proteger a Terra de tempestades solares
© Unsplash

As observações do James Webb foram realizadas em dois momentos distintos: entre os dias 15 e 16 de dezembro de 2025 e novamente em 27 de dezembro do mesmo ano.

Nessa fase, o cometa já havia passado pelo ponto mais próximo do Sol e iniciava sua jornada de retorno ao espaço interestelar.

Os pesquisadores acreditam que esse detalhe foi crucial para o sucesso da descoberta. Segundo a equipe, o metano provavelmente permaneceu escondido sob camadas profundas de gelo durante boa parte da aproximação.

À medida que o calor solar aqueceu o núcleo, parte desse material congelado começou a evaporar, expondo compostos que antes estavam aprisionados no interior do objeto. Foi justamente esse processo que permitiu ao James Webb detectar a assinatura química do metano.

Outros observatórios também participaram da investigação

O James Webb não foi o único instrumento a aproveitar a passagem do visitante interestelar.

Diversos observatórios terrestres e espaciais direcionaram seus equipamentos para o 3I/ATLAS durante sua breve visita. Entre eles estava a sonda JUICE, da Agência Espacial Europeia (ESA).

Embora a missão tenha sido criada para estudar as luas geladas de Júpiter, a espaçonave estava em uma posição privilegiada quando o cometa passou pela região interna do Sistema Solar.

A ESA calculou que a JUICE seria uma das naves mais próximas do objeto durante sua passagem e decidiu utilizar seus instrumentos para coletar informações adicionais. Os dados foram enviados para a Terra em fevereiro de 2026 e continuam sendo analisados por equipes científicas.

O visitante partiu, mas as descobertas estão apenas começando

O 3I/ATLAS já está se afastando rapidamente do Sol e dificilmente voltará a ser observado com o mesmo nível de detalhe. Ainda assim, sua passagem pode marcar um momento importante na astronomia moderna.

Cada visitante interestelar funciona como uma cápsula do tempo vinda de outro canto da galáxia. Ao estudar sua composição, os cientistas conseguem investigar processos de formação planetária que ocorreram ao redor de estrelas distantes, ampliando nossa compreensão sobre a diversidade de sistemas existentes no Universo.

A identificação de metano e de proporções incomuns de gases é apenas o começo. Com novos dados ainda sendo examinados por observatórios e missões espaciais, tudo indica que o 3I/ATLAS continuará revelando segredos por muitos anos, mesmo já estando a milhões de quilômetros de distância.

 

[ Fonte: Xataka ]

 

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