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O que está por trás do menor nível de desemprego já registrado no país

Um novo levantamento oficial revela uma mudança histórica no emprego no Brasil, com menos pessoas procurando trabalho, mais vagas ocupadas e sinais claros de transformação estrutural no mercado.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante anos, o desemprego foi um dos termômetros mais sensíveis da economia brasileira. Bastava uma desaceleração para que os números subissem rapidamente. Agora, os dados mais recentes apontam para um cenário inédito. Um patamar nunca antes registrado foi alcançado, acompanhado por recordes paralelos de ocupação, renda e formalização. O resultado chama atenção não apenas pelo número em si, mas pelo conjunto de indicadores que ajudam a explicá-lo.

Um marco histórico revelado pelos novos dados

Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira mostram que a taxa de desocupação no Brasil caiu para 5,2% no quarto trimestre de 2025. Trata-se do menor índice desde o início da série histórica da Pnad Contínua, em 2012. Mais do que uma simples variação pontual, o número representa um ponto fora da curva em relação ao padrão observado ao longo da última década.

Ao todo, 5,644 milhões de pessoas estavam em busca de trabalho no período — o menor contingente de desempregados já registrado pela pesquisa. Em relação ao trimestre anterior, houve uma redução de 7,2%, o que significa 441 mil pessoas a menos procurando emprego. Na comparação anual, a queda foi ainda mais expressiva: 14,9%, equivalente a quase 1 milhão de brasileiros.

Esse movimento ocorre em paralelo a outro dado igualmente relevante: o número de pessoas ocupadas no país atingiu 103,2 milhões, um novo recorde absoluto. Com isso, o nível de ocupação chegou a 59,0% da população em idade de trabalhar, o maior percentual já observado pela Pnad Contínua.

Segundo o IBGE, a manutenção desse contingente elevado de trabalhadores ao longo de 2025 ajudou a reduzir a pressão por busca de emprego, contribuindo diretamente para a queda da taxa de desocupação. O mercado, ao que tudo indica, conseguiu absorver a demanda de forma mais consistente do que em anos anteriores.

Formalização, setor público e renda em alta

Além da redução do desemprego, outros indicadores ajudam a entender a dinâmica atual do mercado de trabalho. A taxa de informalidade caiu para 37,7% da população ocupada, abaixo do índice registrado no trimestre anterior. Embora ainda elevada, essa retração é significativa por ocorrer junto a um avanço da formalização.

O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado alcançou 39,4 milhões, o maior da série histórica. Na comparação anual, houve crescimento de 2,6%, enquanto no trimestre o indicador permaneceu estável. Já o contingente de empregados sem carteira assinada ficou em 13,6 milhões, com queda de 3,4% em relação a 2024.

Outro destaque foi o trabalho por conta própria, que chegou a 26 milhões de pessoas, também um recorde. Apesar da estabilidade no trimestre, o avanço anual foi de 2,9%, indicando uma combinação de empreendedorismo, prestação de serviços e reorganização das formas de ocupação.

No recorte por atividade, apenas um grupamento apresentou crescimento significativo no trimestre: administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde e serviços sociais. Esse setor incorporou cerca de 492 mil novos trabalhadores, impulsionado principalmente pelas áreas de educação e saúde. O número total de empregados no setor público cresceu 1,9% no trimestre e 3,8% no ano.

A melhora quantitativa veio acompanhada de ganhos reais de renda. O rendimento médio real habitual alcançou R$ 3.574, com alta de 1,8% no trimestre e de 4,5% em relação ao mesmo período de 2024, já descontada a inflação. A massa de rendimento real chegou a R$ 363,7 bilhões, refletindo o efeito combinado de mais pessoas trabalhando e salários mais altos.

Para os técnicos do IBGE, esse conjunto de fatores indica um mercado de trabalho mais robusto, com efeitos diretos sobre o consumo, a arrecadação e o ritmo geral da economia.

Fonte: Metrópoles

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