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Ciência

O que o Nobel de Economia de 2025 ensina sobre crescer de forma inteligente

A principal lição do Nobel de Economia deste ano é simples, mas poderosa: crescer não é apenas uma questão de esforço — é uma questão de inteligência. As pesquisas premiadas mostram que o segredo do desenvolvimento sustentável está na capacidade de inovar continuamente, adaptando ideias, tecnologias e comportamentos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Quando inovar vale mais que trabalhar mais

O Prêmio Nobel de Economia de 2025 foi concedido a Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt, três estudiosos que transformaram nossa compreensão sobre o crescimento econômico. Eles explicam, em linhas gerais, por que alguns países prosperam e outros ficam para trás — e a resposta passa pela inovação.

Mokyr foi reconhecido por identificar as condições que permitem o chamado “crescimento sustentado”, aquele que não depende de um boom passageiro, mas de uma base sólida de conhecimento e tecnologia. Já Aghion e Howitt ganharam destaque pela famosa teoria da “destruição criativa”, conceito que mostra como novas ideias e tecnologias substituem as antigas, impulsionando produtividade, empregos e competitividade.

Para o economista Diogo Carneiro, professor da Fipe¬cafi, o recado do Nobel é claro: “A produtividade não depende de trabalhar mais, e sim de trabalhar de forma mais inteligente”. Segundo ele, o progresso depende de instituições e culturas que incentivem a inovação, e não apenas do esforço individual.

Carneiro reforça que países que investem em ciência, educação e tecnologia criam um ambiente onde novas ideias se transformam em produtos e serviços melhores. “Essas nações conseguem gerar riqueza de forma mais consistente. Infelizmente, o Brasil ainda explora pouco esse caminho.”

Inovação que transforma vidas

As teorias premiadas não são apenas macroeconomia — elas estão diretamente ligadas à vida cotidiana. Inovar significa gerar empregos, aumentar salários e reduzir custos. Quando um setor se moderniza, toda a economia se beneficia.

“Com criatividade, o ser humano consegue se reinventar e melhorar todos os dias. A inovação aumenta a qualidade dos produtos, torna os serviços mais eficientes e cria oportunidades em áreas que nem existiam antes”, explica Carneiro.

Em outras palavras, crescer de forma inteligente é criar condições para que o novo floresça — e isso vale tanto para países quanto para empresas e indivíduos.

O desafio brasileiro: inovação sem consistência

Para o economista Luciano Bravo, da Inteligência Comercial, os estudos de Mokyr, Aghion e Howitt ajudam a entender por que o Brasil ainda tropeça na inovação. “Suas pesquisas mostram que o avanço das sociedades depende da capacidade de gerar e difundir conhecimento útil, de promover ambientes abertos à experimentação e de sustentar ciclos de inovação contínua.”

Bravo lembra que o país tem alguns exemplos de sucesso, mas não consegue transformar esses casos em política de Estado. “Temos ilhas de produtividade, como o agronegócio — impulsionado pela Embrapa — e a indústria aeronáutica, com a Embraer e o ITA. Mas o Brasil ainda falha em expandir essa lógica para o restante da economia.”

Ele cita que setores como fintechs e energias renováveis mostram o potencial do país quando instituições e incentivos estão alinhados. “Quando o ambiente é favorável, o Brasil consegue competir com os polos de inovação mais avançados do mundo. É o tipo de cenário descrito pelos economistas premiados.”

Destruição criativa: o motor do progresso

A chamada “destruição criativa”, conceito central de Aghion e Howitt, parte de uma ideia simples: o novo substitui o velho. Empresas, tecnologias e modelos de negócios que não se adaptam são superados pelos que inovam. É um ciclo natural que garante o avanço econômico — mas que também exige coragem política e empresarial.

O problema é que muitos países, inclusive o Brasil, têm dificuldade em lidar com as perdas temporárias que esse processo causa. “A inovação traz ganhos, mas também destrói estruturas antigas. É preciso preparar o mercado de trabalho e a sociedade para essa transição”, observa Bravo.

Crescer de forma inteligente

No fim das contas, a mensagem do Nobel de 2025 é otimista: o futuro pertence a quem cria, experimenta e se adapta. O crescimento sustentável não vem de trabalhar mais horas, mas de transformar o conhecimento em algo útil e produtivo.

Para países como o Brasil, o desafio é criar um ecossistema que estimule o pensamento crítico, a ciência e o empreendedorismo. Só assim a inovação deixa de ser exceção e passa a ser regra — dentro das empresas, das universidades e das políticas públicas.

Os três vencedores dividirão um prêmio equivalente a R$ 6,3 milhões, mas o valor simbólico é muito maior: um lembrete de que o progresso nasce das ideias, não apenas do esforço.

[Fonte: R7]

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