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Tecnologia

O retorno dos voos supersônicos: o que muda com o fim da proibição nos Estados Unidos

Viajar de Nova York a Los Angeles em apenas duas horas pode deixar de ser sonho e se tornar realidade. Mas, apesar da recente liberação dos voos supersônicos sobre terra, ainda existem barreiras técnicas, ambientais e econômicas para que esse futuro de alta velocidade decole de vez.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Após décadas no limbo, os voos comerciais supersônicos podem finalmente voltar ao céu. O último Concorde cruzou os ares em 2003, encerrando uma era de viagens rápidas e exclusivas. Agora, com o fim da proibição de voos civis acima da velocidade do som sobre o território dos Estados Unidos, o setor aeroespacial se movimenta para inaugurar uma nova fase — mais silenciosa, mais sustentável e, quem sabe, mais acessível.

 

Um passo histórico rumo ao futuro

A proibição de voos civis supersônicos sobre a terra, decretada em 1973 nos Estados Unidos, visava reduzir os impactos do barulho causado pela quebra da barreira do som. Esse estrondo, conhecido como “boom sônico”, é comparável a um trovão e sempre foi motivo de incômodo para quem vive abaixo das rotas aéreas.

Mas em 2020, o então presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva solicitando à FAA (Administração Federal de Aviação) que criasse novos padrões de ruído para aeronaves supersônicas, com foco na aceitação pública, viabilidade técnica e impacto econômico. Com isso, abriu-se espaço para que novas aeronaves possam ser certificadas — desde que não causem explosões audíveis no solo.

 

Boom Supersonic: a aposta americana

Uma das empresas que lideram essa nova corrida é a Boom Supersonic, com sede no Colorado. Seu protótipo XB-1 está sendo testado para alcançar Mach 1.7, o equivalente a cerca de 2.000 km/h, transportando entre 64 e 80 passageiros. O modelo comercial Overture já atraiu o interesse de gigantes como American Airlines e United Airlines.

Em janeiro, o XB-1 realizou seu primeiro voo supersônico. Para a empresa, o fim da proibição representa uma oportunidade de ouro para revolucionar as viagens aéreas — desde que consiga atender às novas exigências de ruído e tornar os voos financeiramente viáveis.

 

O desafio do barulho (e como reduzi-lo)

O principal entrave técnico continua sendo o ruído gerado pela quebra da barreira do som. Para resolver isso, a NASA trabalha no projeto X-59, um avião experimental com motor montado sobre a fuselagem, o que ajuda a reduzir o impacto acústico no solo. Segundo a agência, o som produzido por esse modelo será comparável a uma batida leve, e não mais a um estrondo.

Além da redução do barulho, o X-59 também é projetado para minimizar o impacto da pressão atmosférica na terra, tornando os voos mais confortáveis para quem está em solo.

 

Meio ambiente e custos operacionais

Outro obstáculo é o alto consumo de combustível. O Concorde, por exemplo, gastava cerca de 22 toneladas por hora — o dobro de um Boeing 747, que leva quatro vezes mais passageiros. Embora a Boom afirme que seus modelos funcionarão com combustíveis sustentáveis, especialistas alertam que voos a grandes altitudes liberam emissões que permanecem por mais tempo na atmosfera, agravando o efeito estufa.

Além disso, os custos operacionais dos voos supersônicos continuam elevados. O próprio Concorde não era considerado lucrativo, já que o valor do combustível superava o retorno financeiro de cada viagem. As companhias interessadas em retomar esse modelo precisarão encontrar soluções econômicas que tornem os voos rápidos também acessíveis — ou ao menos rentáveis.

 

Ainda há um longo caminho

O fim da proibição é um marco importante, mas ainda há barreiras tecnológicas, ambientais e comerciais a serem superadas antes que os voos supersônicos entrem novamente em operação regular.

A ideia de voar de Nova York a Los Angeles em duas horas pode parecer promissora, mas será necessário equilibrar inovação com responsabilidade. Somente com aviões silenciosos, sustentáveis e economicamente viáveis será possível inaugurar uma nova era nos céus — sem repetir os erros do passado.

 

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