Pular para o conteúdo
Ciência

O rio Tâmisa tem sido um depósito de corpos há pelo menos 6.000 anos, revela estudo

Centenas de ossos humanos emergiram do rio Tâmisa nos últimos dois séculos, a maioria deles de origem pré-histórica.
Por

Tempo de leitura: 2 minutos

O londrino médio pode se surpreender ao saber que, nos últimos duzentos anos, centenas de ossos humanos foram descobertos no rio Tâmisa. Segundo uma nova pesquisa, grande parte desses restos remonta à pré-história.

Pesquisadores do Reino Unido analisaram os restos de 61 indivíduos recuperados do famoso rio e confirmaram que a maioria data das idades do Bronze e do Ferro. Embora seja impossível saber com certeza como esses corpos acabaram no rio há milhares de anos, a grande concentração de casos entre 2300 a.C. e 43 d.C. levou a equipe a sugerir que a deposição de corpos nesse período foi intencional.

“Agora podemos dizer com confiança que esses não parecem ser apenas ossos que se acumularam gradualmente no rio ao longo do tempo”, afirmou Nichola Arthur, curadora do Museu de História Natural de Londres e coautora do estudo, publicado no mês passado na revista Antiquity, ao portal Live Science. “Havia, de fato, algo significativo acontecendo nas idades do Bronze e do Ferro.”

Datação e descobertas

Arthur e seus colegas usaram a datação por radiocarbono, uma técnica bem estabelecida para determinar a idade de materiais orgânicos, para datar 30 restos ósseos que ainda não haviam sido analisados. Em seguida, combinaram esses novos dados com pesquisas anteriores, criando uma linha do tempo para os 61 restos humanos retirados do Tâmisa.

Os resultados mostram que, embora as ossadas cubram quase 6.000 anos (de 4000 a.C. a 1800 d.C.), a maioria data das idades do Bronze e do Ferro, confirmando o “predomínio anteriormente relatado de datas dessas épocas”, escreveram os pesquisadores no estudo.

Períodos de ausência e declínio populacional

Curiosamente, há uma lacuna significativa entre 300 e 600 d.C., período em que praticamente não há registros de corpos no rio. Segundo Arthur e suas colegas Jane Sidell, inspetora principal de monumentos antigos da Historic England, e Heather Bonney, curadora principal das coleções de antropologia do Museu de História Natural de Londres, essa ausência pode refletir o declínio populacional em Londres entre o fim do período romano, no início do século V, e o estabelecimento do porto comercial saxão de Lundenwic, no início do século VII.

Os pesquisadores descartaram a hipótese de que os corpos chegaram ao rio devido à erosão de sepulturas localizadas nas margens do Tâmisa da Idade do Bronze ou do Ferro. A razão é simples: nenhuma sepultura dessas épocas foi encontrada nas áreas examinadas.

Em vez disso, a equipe sugere que os corpos encontrados no Tâmisa durante as idades do Bronze e do Ferro estejam ligados a práticas rituais conhecidas como “deposição aquática”, comuns no noroeste da Europa naquela época. Além disso, os pesquisadores destacam registros arqueológicos de artefatos e oferendas que indicam que o Tâmisa provavelmente era considerado um “local de importância votiva”, onde objetos e corpos poderiam ser entregues às águas como parte de rituais.

Se você se sentiu inspirado a procurar tesouros antigos às margens do Tâmisa, um aviso: é necessário ter uma licença para explorar a área, e a fila de espera é longa!

Partilhe este artigo

Artigos relacionados