A 30ª Conferência da ONU sobre Mudança Climática, realizada em Belém, iniciou-se com um anúncio que alterou o clima político da cúpula. Em um movimento sem precedentes, a maioria dos países chegou com suas metas atualizadas já registradas, fortalecendo o multilateralismo e acelerando o debate sobre transição justa, inovação tecnológica e financiamento climático. A partir desse novo ponto de partida, a COP30 se torna um teste decisivo para medir a capacidade do mundo de transformar promessas em ação real.
Um início histórico: 111 países apresentam suas novas metas climáticas
Durante a primeira coletiva de imprensa, a diretora executiva da COP30, Ana Toni, confirmou que 111 países já haviam registrado suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). Antes da abertura oficial, apenas 79 haviam sido entregues.
As NDCs são o núcleo do Acordo de Paris: compromissos de redução de emissões atualizados a cada cinco anos. Para Toni, o recorde mostra “um claro fortalecimento do multilateralismo” e dá ao encontro um impulso político raro.
Brasil assume protagonismo com uma NDC ambiciosa para 2035
Entre os países que mais chamaram atenção está o Brasil. Sua nova NDC propõe reduzir as emissões em 59% até 2035, reforçando ações contra o desmatamento, ampliando a bioeconomia amazônica e acelerando a transição energética.
A adaptação climática também é prioridade. Toni destacou a necessidade de articular indicadores e tecnologias que permitam medir resultados reais. Outro marco: pela primeira vez em quatro anos, a agenda oficial foi aprovada no primeiro dia — algo crucial para evitar bloqueios nas semanas seguintes.
145 temas em negociação: tecnologia e financiamento no centro das tensões
Ao todo, a COP30 terá de avançar em 145 itens antes do encerramento em 21 de novembro. Entre eles:
- transição justa
- financiamento climático
- balanço global
- biodiversidade
- inovação tecnológica
- adaptação
A transferência tecnológica promete ser o tema mais difícil. Apesar do Acordo de Paris prever apoio técnico dos países desenvolvidos aos mais vulneráveis, o assunto acumula impasses. Na reunião preparatória SB60, em Bonn, foi um dos poucos pontos sem consenso. Em Belém, espera-se progresso para que países de baixa renda tenham acesso a tecnologias essenciais para cumprir suas NDCs.
Um clima político renovado, mas um desafio imutável
Apesar do otimismo gerado pelo recorde de NDCs apresentadas, a questão fundamental permanece: esses compromissos serão suficientes — e verificáveis?
O mundo ainda está distante da trajetória necessária para limitar o aquecimento a 1,5 °C. Assim, a COP30 será um teste de credibilidade: mostrar que o multilateralismo climático não é apenas declaratório, mas capaz de impulsionar ações concretas de mitigação e adaptação.