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Ciência

O temido verme ‘come-carne’ reaparece nos EUA e coloca todo o continente em alerta

Um inimigo quase esquecido reapareceu e colocou em alerta tanto a saúde pública quanto a pecuária das Américas. O “verme come-carne”, capaz de devastar rebanhos e afetar pessoas, ressurgiu com milhares de focos e já cruzou fronteiras. Especialistas temem consequências graves se medidas urgentes não forem adotadas.
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Durante décadas, parecia que o problema havia sido resolvido. Mas o reaparecimento do verme ‘come-carne’ mostrou que a ameaça nunca esteve totalmente controlada. Com potencial de afetar humanos, animais domésticos e até a fauna silvestre, a praga volta a preocupar autoridades e coloca em risco bilhões em produção agropecuária.

O retorno de um velho inimigo

O surto começou no Panamá em 2023 e rapidamente se expandiu para toda a América Central e México, acumulando mais de 20 mil focos. Em agosto de 2025, o alerta se intensificou quando o primeiro caso humano foi confirmado nos Estados Unidos, em Maryland, em um viajante vindo de El Salvador. O paciente se recuperou, mas o episódio mostrou como a fronteira sanitária pode ser vulnerável.

Um parasita devastador

O ciclo do verme ‘come-carne’ é implacável: a mosca deposita ovos em feridas abertas, e as larvas se alimentam de tecido vivo. O resultado são lesões dolorosas, infecções secundárias e, em casos graves, a morte do hospedeiro. Na pecuária, basta um foco para comprometer um rebanho inteiro, com prejuízos milionários. A ameaça não se restringe a fazendas: espécies silvestres também são vítimas, ampliando o impacto ambiental e ecológico.

Estratégias antigas, novos desafios

Nos anos 1980 e 1990, os Estados Unidos conseguiram erradicar o parasita utilizando a técnica do inseto estéril, liberando milhões de moscas macho incapazes de se reproduzir. Agora, o governo pretende reativar essa estratégia com uma nova planta no Texas, mas a instalação só deve funcionar em dois ou três anos. Enquanto isso, o setor agropecuário estima que as perdas podem chegar a 1,8 bilhão de dólares caso o parasita volte a se estabelecer.

Cooperação internacional como única saída

Organismos como a OMSA (Organização Mundial de Sanidade Animal) e o OIRSA pedem urgência em medidas coordenadas. Entre as recomendações estão reforço da vigilância veterinária, aplicação de quarentenas e uso sistemático de repelentes e inseticidas em áreas críticas. A prevenção para viajantes também é destacada: cobrir feridas e redobrar cuidados em zonas rurais podem evitar reintroduções. O caso de Maryland serve como exemplo de como um único descuido pode gerar grandes consequências.

Um alerta que vai além da pecuária

Mais do que uma ameaça econômica, o retorno do verme ‘come-carne’ expõe a fragilidade dos sistemas sanitários diante de pragas transfronteiriças. A experiência mostra que a erradicação exige vigilância constante e cooperação entre países. O futuro da saúde pública e da segurança alimentar na região dependerá da rapidez com que as autoridades consigam agir diante dessa nova escalada.

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