No domingo de Páscoa, enquanto milhares de fiéis lotavam a Praça de São Pedro, no Vaticano, o papa Francisco apareceu pela última vez em público. Um dia depois, aos 88 anos, o pontífice — primeiro sul-americano e jesuíta a liderar a Igreja Católica — faleceu, encerrando um pontificado histórico. Em seu último dia, ele deixou mensagens tocantes sobre conflitos globais, fé e liberdade, além de receber uma visita diplomática significativa.
Aparição pública e bênção de despedida

Sentado e visivelmente fragilizado, o papa saudou a multidão com sua tradicional bênção pascal. Embora o discurso tenha sido lido por um membro do clero, foi repleto de reflexões profundas. Ele defendeu a liberdade religiosa, a paz e a empatia entre os povos, clamando por cessar-fogo no Oriente Médio e solidariedade aos civis atingidos por guerras. Em destaque, ele mencionou a crise em Gaza e pediu libertação de reféns e ajuda humanitária urgente.
O papa também exortou esforços de paz na Ucrânia e afirmou que não há paz possível sem liberdade de expressão e respeito às diferenças. Ao final da bênção, foi conduzido pela praça, onde parou diversas vezes para abençoar bebês trazidos por fiéis.
Missa de Páscoa e limitações físicas
Durante a Semana Santa, Francisco fez apenas aparições breves. Por orientação médica, ele havia delegado a maior parte das funções litúrgicas aos cardeais. Ainda assim, surpreendeu ao participar de momentos simbólicos, como a abertura da Porta Santa da Basílica de São Pedro, marcando o início do ano jubilar.
A missa de Páscoa reuniu dezenas de milhares de católicos, atraídos pela celebração especial que ocorre a cada 25 anos. Mesmo com a saúde debilitada após semanas de internação por pneumonia, o papa demonstrou resiliência. Segundo seus médicos, ele passou por “dois episódios críticos” durante a internação, mas nunca foi entubado e permaneceu lúcido.
Reunião com vice-presidente dos EUA
Na manhã de domingo, o pontífice também recebeu o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, em um encontro reservado. Vance, católico convertido na vida adulta, estava em Roma desde sexta-feira e havia se reunido com altos representantes do Vaticano no sábado.
O Vaticano informou que o encontro abordou “boas relações bilaterais” e destacou compromissos comuns com a liberdade religiosa e temas sensíveis como migração, refugiados e conflitos internacionais.
Após a morte do papa, Vance expressou nas redes sociais sua admiração por Francisco, lembrando a marcante homilia proferida no início da pandemia de covid-19. Para ele, aquela mensagem de esperança ficará eternamente registrada na memória coletiva da humanidade.
Com palavras finais de compaixão, gestos de carinho e uma firme defesa da paz, Francisco se despediu do mundo como viveu: com fé, humildade e coragem.
[Fonte: Terra]