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O que acontece após a morte de um Papa: os detalhes do protocolo que agora entra em vigor

Com a partida do papa Francisco, um ritual milenar se ativa no coração do Vaticano. Novas regras aprovadas por ele mesmo mudam o modo como a Igreja se despede de seu líder e prepara a transição para um novo pontífice. Descubra como funciona esse processo carregado de simbolismo.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A morte de um Papa não é apenas um evento marcante para a Igreja Católica: é também o início de um cuidadoso processo ritual e administrativo que garante a continuidade da fé e da liderança. Francisco, antes de morrer, aprovou mudanças importantes nesse protocolo, buscando simplificar cerimônias e reforçar o espírito de serviço cristão que sempre defendeu.

O novo rito aprovado por Francisco

Papa Fff 2
© X/ @RelatandoHistoria

Em novembro de 2024, o próprio papa Francisco aprovou a atualização do “Ordo Exsequiarum Romani Pontificis”, documento que regulamenta os funerais papais. As mudanças visam tornar os ritos mais simples e centrados na fé, eliminando gestos antigos considerados desnecessários.Um dos principais símbolos eliminados foi o ritual do camerlengo — o cardeal que conduz a Igreja no período sem Papa — batendo com um pequeno martelo de prata na testa do pontífice para confirmar sua morte. Agora, essa verificação será feita de forma reservada na capela privada do Palácio Apostólico.

O funeral: fé, simplicidade e adeus

Com a nova normativa, o corpo do papa não passará por velório privado. Ele será levado diretamente à Basílica de São Pedro, onde ficará exposto em um caixão de madeira com interior de zinco — diferente do antigo sistema de três caixões (cipreste, chumbo e carvalho).

A missa fúnebre será celebrada na Praça de São Pedro, presidida pelo decano do Colégio dos Cardeais. Os títulos usados serão mais simples: em vez de “Santo Padre”, por exemplo, será usado “Bispo de Roma” ou “Pastor”, como queria Francisco. Ao fim da celebração, o corpo será levado à Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, seu local escolhido de sepultamento — uma exceção à tradição das grutas vaticanas.

A transição: Sede Vacante e o conclave

A morte de um Papa não é apenas um evento marcante para a Igreja Católica: é também o início de um cuidadoso processo ritual e administrativo que garante a continuidade da fé.
© X/ @JaimeRuix

Com o falecimento do Papa, inicia-se o período de Sede Vacante, no qual o camerlengo administra os assuntos temporários da Igreja. Nesse tempo, o Vaticano se prepara para o conclave — a reunião dos cardeais com menos de 80 anos na Capela Sistina para eleger o novo papa.

Durante o conclave, os cardeais votam secretamente até que um dos nomes obtenha dois terços dos votos. As cédulas são queimadas ao final de cada votação: se não houver decisão, a fumaça que sai pela chaminé é cinza. Quando a eleição se concretiza, uma substância especial é adicionada às cédulas queimadas, e a fumaça branca — a fumata branca — anuncia ao mundo: Habemus Papam.

Os símbolos do novo pontificado

O novo papa é apresentado à multidão do balcão central da Basílica de São Pedro. A partir desse momento, ele se distingue com três símbolos principais:

  • A batina branca, que simboliza pureza e serviço espiritual.

  • A férula papal, usada para conduzir as celebrações litúrgicas.

  • O anel do pescador, símbolo exclusivo de cada pontífice, gravado com seu nome e inspirado na missão evangelizadora de Pedro, o “pescador de homens”.

Após a confirmação da morte de um papa, o anel do pescador é destruído, tradicionalmente com um martelo, para simbolizar o fim de seu pontificado.

O funeral de Bento XVI: um marco histórico

O último funeral papal foi o do papa emérito Bento XVI, que faleceu em 31 de dezembro de 2022, aos 95 anos. O evento foi histórico, pois foi a primeira vez em séculos que um papa (Francisco) celebrou o funeral de outro papa.

A cerimônia aconteceu na Praça de São Pedro. O corpo de Bento XVI foi sepultado nas grutas vaticanas, encerrando um pontificado marcado por uma renúncia inédita desde a Idade Média. Nascido Joseph Ratzinger, Bento XVI liderou a Igreja de 2005 até 2013, quando abriu caminho para a chegada de Francisco.

Agora, a Igreja entra novamente em um momento solene, olhando para o futuro com reverência pelo passado. O protocolo continua, mas o espírito de Francisco seguirá presente nos caminhos da fé.

 

Fonte: Infobae

 

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