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O Wi-Fi pode não desaparecer — mas uma nova tecnologia com luz já atingiu 362 Gbps e mostra para onde a internet está indo

Uma tecnologia que transmite dados por meio de luz acaba de alcançar velocidades impressionantes. Com menos interferência e maior eficiência energética, o sistema pode mudar a forma como nos conectamos dentro de casa e no trabalho — e aliviar a pressão sobre o Wi-Fi tradicional.

Quando o Wi-Fi começa a mostrar seus limites

Wifi
© Unsplash

O Wi-Fi foi projetado para um mundo muito menos conectado do que o atual. Hoje, múltiplos dispositivos competem por banda em um mesmo espaço: celulares, notebooks, smart TVs e até eletrodomésticos.

Isso gera três problemas principais:
interferência entre sinais, limitação de largura de banda e maior consumo de energia.

Em ambientes densos — como escritórios, aeroportos ou apartamentos — esses efeitos ficam ainda mais evidentes. É nesse cenário que a comunicação óptica sem fio surge como alternativa.

Transmitir dados com luz: o que muda na prática

A principal diferença dessa tecnologia está no meio de transmissão.

Em vez de usar radiofrequência, o sistema envia dados por feixes de luz. Isso permite trabalhar com larguras de banda muito maiores e praticamente elimina interferências com redes tradicionais.

Além disso, os feixes podem ser direcionados com precisão. Em vez de “espalhar” sinal por todo o ambiente, como o Wi-Fi faz, a luz pode ser focada em áreas específicas — ou até em usuários individuais.

Esse controle abre caminho para conexões mais estáveis, rápidas e seguras em espaços fechados.

Um chip com múltiplos lasers trabalhando ao mesmo tempo

Chip Chino
© Shutterstock

O coração do sistema é um chip equipado com uma matriz de lasers do tipo VCSEL (Vertical-Cavity Surface-Emitting Laser), já utilizados em data centers.

Na prática, cada laser funciona como um canal independente de transmissão.

Durante os testes, os pesquisadores utilizaram 21 lasers simultaneamente, cada um operando entre 13 e 19 Gbps. O resultado foi uma taxa combinada de 362,7 Gbps em um enlace de dois metros — um valor que coloca o sistema entre os mais rápidos já registrados nesse tipo de comunicação.

Para otimizar o desempenho, os dados foram divididos em múltiplos canais de frequência, adaptando-se dinamicamente às condições do sinal.

Mais eficiência com menos energia

Outro destaque importante é o consumo energético.

O sistema utiliza cerca de 1,4 nanojoule por bit transmitido — aproximadamente metade do consumo de tecnologias Wi-Fi equivalentes.

Em um mundo cada vez mais dependente de dados, essa diferença pode representar uma economia significativa de energia em larga escala, especialmente em escritórios, centros corporativos e ambientes públicos.

Conexões múltiplas sem interferência

Controlar vários feixes de luz ao mesmo tempo não é trivial.

Para resolver isso, os pesquisadores desenvolveram um sistema óptico com microlentes que direciona cada feixe para uma área específica. O resultado foi uma distribuição uniforme de sinal superior a 90% na zona de cobertura.

Em testes com múltiplos usuários, quatro conexões simultâneas operaram de forma estável, atingindo cerca de 22 Gbps combinados.

E esse número ainda pode crescer com receptores mais avançados.

O futuro não é substituir — é complementar

Apesar dos resultados impressionantes, a proposta não é eliminar o Wi-Fi.

A ideia é criar um sistema complementar. Enquanto o Wi-Fi continua cobrindo grandes áreas e garantindo mobilidade, a comunicação óptica pode assumir tarefas que exigem alta velocidade e baixa interferência.

Em escritórios, casas inteligentes ou espaços públicos, essa combinação pode aliviar a sobrecarga das redes atuais e oferecer uma experiência muito mais fluida.

No fim das contas, o Wi-Fi talvez não tenha seus dias contados — mas está claro que ele não estará sozinho no futuro da conectividade.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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