A disputa pelos robotáxis está entrando em uma nova fase — e Uber não pretende ficar assistindo de fora. Depois de anos sendo vista apenas como um aplicativo de transporte, a companhia agora tenta se reposicionar como uma peça central da mobilidade autônoma global.
A estratégia envolve investimentos bilionários, alianças com gigantes da tecnologia e uma aposta clara: controlar a distribuição das viagens pode ser tão importante quanto fabricar os próprios veículos.
Segundo informações divulgadas recentemente, a empresa estaria preparando um compromisso total de cerca de US$ 10 bilhões para expandir sua presença no setor de robotáxis.
A Uber não quer fabricar carros — quer controlar a rede

Diferentemente de Tesla ou Waymo, a Uber não parece interessada em construir um ecossistema totalmente fechado.
A visão da companhia é outra: tornar-se uma espécie de “hub” neutro para veículos autônomos de múltiplos fabricantes e operadores.
A lógica faz sentido do ponto de vista estratégico. A Uber já possui algo extremamente difícil de replicar: centenas de milhões de usuários ativos, infraestrutura global, dados operacionais e experiência em gerenciamento de viagens em tempo real.
Se conseguir integrar diferentes frotas autônomas dentro de sua plataforma, a empresa pode acabar ocupando uma posição semelhante à de um sistema operacional da mobilidade urbana.
Uma aposta bilionária em robotáxis
O tamanho da ambição impressiona.
A estratégia envolveria aproximadamente US$ 2,5 bilhões em investimentos diretos em empresas do setor de direção autônoma, além de outros US$ 7,5 bilhões destinados à ampliação de frota.
O objetivo seria ultrapassar 100 mil veículos autônomos operando na plataforma a partir de 2027.
Para a Uber, essa abordagem reduz dependência de um único fornecedor e cria uma rede mais flexível de parceiros tecnológicos.
A empresa também ampliou sua participação na Lucid Group para cerca de US$ 500 milhões, com planos futuros envolvendo até 35 mil robotáxis baseados no modelo Lucid Gravity — número bem superior às metas anteriores da parceria.
Nvidia, Waymo, Baidu e Rivian entram na jogada
A estratégia da Uber depende fortemente de alianças.
A empresa já mantém colaboração com a NVIDIA, uma das principais fornecedoras de chips e infraestrutura para inteligência artificial aplicada à direção autônoma.
Também existe parceria direta com a Alphabet, controladora da Waymo. Em cidades como Atlanta e Austin, usuários da Uber já podem acessar veículos autônomos da Waymo diretamente pelo aplicativo.
Mas as alianças vão muito além do mercado americano.
A Uber também trabalha com a divisão Apollo Go, da Baidu, além da WeRide, em operações de robotáxis no Oriente Médio. Testes envolvendo a Apollo Go em Londres também estão previstos para 2026.
A rede de parceiros ainda inclui a Nuro e a Rivian, que poderá futuramente integrar seus veículos elétricos à plataforma.
O modelo da Uber é muito diferente do da Tesla

Enquanto a Tesla aposta em integração vertical — controlando software, hardware e veículos — a Uber tenta ocupar uma posição menos visível, mas potencialmente muito poderosa.
A empresa quer ser o elo entre usuários e frotas autônomas.
Isso significa que, mesmo que outra companhia desenvolva o melhor sistema de direção autônoma do mercado, a Uber ainda poderia capturar grande parte da receita se os usuários continuarem utilizando seu aplicativo para solicitar viagens.
O investidor Gary Black acredita que essa pode se tornar uma vantagem gigantesca. Segundo ele, a escala operacional da Uber — com mais de 200 milhões de usuários ativos mensais e cerca de 10 milhões de veículos cadastrados — cria uma vantagem difícil de superar.
Se a empresa conseguir oferecer robotáxis com tempos de espera entre dois e três minutos e preços competitivos, o modelo pode se tornar extremamente atraente para consumidores.
O maior desafio ainda não é tecnológico
Apesar do entusiasmo, o futuro dos robotáxis continua cercado de incertezas.
Questões regulatórias, segurança operacional, custos de manutenção e aceitação pública ainda representam enormes obstáculos para todo o setor.
Além disso, veículos totalmente autônomos continuam enfrentando desafios complexos em ambientes urbanos imprevisíveis.
Ainda assim, a estratégia da Uber chama atenção porque reduz parte do risco tecnológico direto. A empresa não precisa necessariamente desenvolver o melhor sistema autônomo do mundo — basta conseguir reunir usuários, operadores e frotas dentro de sua plataforma.
Se o mercado de robotáxis realmente se transformar em uma indústria trilionária nas próximas décadas, a batalha talvez não seja vencida apenas por quem construir os carros mais inteligentes, mas por quem controlar a rede onde todas essas viagens irão acontecer.
[ Fonte: Yahoo! Finanzas ]