Os terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho ampliaram drasticamente uma crise humanitária que já era considerada uma das mais graves da região. Diante da destruição causada pelos tremores, a Organização das Nações Unidas (ONU) pediu nesta quarta-feira (8) o envio urgente de US$ 296 milhões para financiar ações emergenciais durante os próximos seis meses e atender cerca de 1,3 milhão de pessoas.
Segundo a organização, o desastre deixou milhares de mortos, desaparecidos e desabrigados, concentrando seus impactos mais severos no estado de La Guaira, próximo a Caracas.
ONU busca recursos para ampliar resposta à emergência

O secretário-geral adjunto da ONU para Assuntos Humanitários e coordenador de ajuda de emergência, Tom Fletcher, está na Venezuela para acompanhar a situação de perto. Durante a visita, ele participou de reuniões com representantes do governo venezuelano e reforçou a necessidade de acelerar o apoio internacional às regiões mais afetadas.
Em um encontro virtual com ministros realizado nesta quarta-feira, Fletcher apresentou o novo plano de resposta humanitária e destacou que os recursos serão destinados às necessidades mais urgentes da população.
“Temos um plano claro. São necessários US$ 296 milhões para atender às necessidades socioeconômicas de 1,3 milhão de pessoas ao longo dos próximos seis meses. Trata-se de um plano com objetivos e prazos definidos”, afirmou.
O representante também agradeceu aos países e organizações que já anunciaram contribuições para a operação de ajuda, ressaltando que a mobilização internacional será decisiva para reduzir o impacto da tragédia.
Crise humanitária já preocupava antes dos terremotos

Mesmo antes dos tremores, a Venezuela enfrentava um cenário humanitário delicado. A ONU estimava que quase oito milhões de pessoas precisavam de algum tipo de assistência devido às dificuldades econômicas e sociais enfrentadas pelo país.
No início de 2026, a organização havia lançado um plano humanitário de US$ 632 milhões para financiar programas de saúde, alimentação, proteção social e assistência básica. Poucos dias antes dos terremotos, porém, apenas US$ 115 milhões haviam sido arrecadados.
Após a tragédia, novas doações elevaram o montante disponível para cerca de US$ 300 milhões. Apesar desse avanço, a ONU afirma que os recursos continuam insuficientes diante da dimensão da emergência.
Necessidades continuam crescendo
Segundo Tom Fletcher, ainda faltam aproximadamente US$ 627 milhões para cobrir as demandas humanitárias consideradas prioritárias no país.
A expectativa da ONU é que novos governos, instituições internacionais e organizações humanitárias ampliem suas contribuições nas próximas semanas. A entidade alerta que, sem financiamento adicional, será difícil garantir abrigo, alimentos, atendimento médico, água potável e outros serviços essenciais para a população afetada.
Com milhares de famílias desabrigadas e diversas áreas ainda enfrentando dificuldades de acesso, a resposta humanitária continua sendo considerada uma prioridade para evitar o agravamento da situação nos próximos meses.
[ Fonte: DW ]