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Tecnologia

OpenAI muda de lado: o que está por trás da decisão histórica de abrir seus modelos de IA

Após anos defendendo um modelo fechado, a OpenAI finalmente liberou seus primeiros modelos de código aberto. O que motivou essa guinada radical? Pressões geopolíticas, concorrência internacional e mudanças no mercado são apenas parte da resposta — e as implicações podem transformar o futuro da inteligência artificial.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Durante muito tempo, a OpenAI foi vista como guardiã de uma inteligência artificial poderosa, mas inacessível. Agora, tudo mudou. A empresa responsável pelo ChatGPT anunciou a abertura de dois novos modelos para uso público, algo impensável até pouco tempo. A decisão, influenciada por concorrência internacional e pressões políticas nos EUA, pode inaugurar uma nova era para a IA. Entenda o que está por trás desse movimento surpreendente.

Uma virada que ninguém esperava

Desde 2019, quando lançou o GPT-2, a OpenAI mantinha seus modelos sob controle fechado, alegando riscos à segurança. Enquanto isso, rivais como a Meta e empresas chinesas como DeepSeek e Qwen avançavam com soluções de código aberto, conquistando comunidades e desenvolvedores.

O ponto de ruptura veio em janeiro, quando o modelo DeepSeek R1 demonstrou capacidades semelhantes às do GPT, com custo e infraestrutura muito menores. A pressão se tornou insustentável, levando Sam Altman, CEO da OpenAI, a admitir publicamente que estava “do lado errado da história”.

Os novos modelos abertos da OpenAI

A resposta foi o lançamento de dois modelos batizados de gpt-oss-120b e gpt-oss-20b, ambos de código aberto. O modelo maior possui 117 bilhões de parâmetros, mas ativa apenas 4,4% deles por vez, graças à arquitetura MoE (Mixture of Experts). Isso permite que rode em uma GPU com 80 GB de memória.

Já a versão leve, gpt-oss-20b, ativa cerca de 17% dos parâmetros e pode ser usada até mesmo em laptops com 16 GB de RAM, embora com desempenho limitado.

Ambos conseguem realizar raciocínio em cadeia sem supervisão humana direta — o que favorece a transparência —, mas ainda apresentam alto índice de alucinações (49% e 53%), longe dos 16% do GPT-4-o.

Abertura com ressalvas

Apesar da liberação, a OpenAI não divulgou os dados de treinamento nem permitiu o uso multimodal. Os modelos estão disponíveis com licença Apache 2.0 em plataformas como Hugging Face e podem ser integrados em ferramentas como Ollama e LM Studio.

A empresa também lançou um Red Teaming Challenge, com premiação de US$ 500 mil, para incentivar a identificação de riscos nesses modelos abertos.

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© FreePik

Pressão internacional e estratégia política

Além da concorrência asiática, a decisão da OpenAI reflete um novo cenário político. O governo dos EUA, sob a presidência de Trump, tem pressionado empresas de tecnologia a compartilhar conhecimento com aliados estratégicos como forma de conter a influência chinesa.

Com parcerias com empresas como Orange e Snowflake, além de instituições como AI Sweden, a OpenAI testa o modelo aberto em ambientes reais para verificar sua viabilidade técnica e econômica.

Um novo capítulo na história da IA

A abertura desses modelos marca um momento histórico. A OpenAI, antes símbolo da IA fechada, agora aposta na colaboração e transparência. O código aberto volta ao centro da inovação — e isso pode moldar o futuro da inteligência artificial de maneira mais democrática, acessível e global.

Fonte: Gizmodo ES

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