Dirigir no Brasil exige mais do que habilidade: exige atenção constante. Com fiscalização eletrônica cada vez mais presente e regras mais rigorosas a caminho, pequenos descuidos podem virar grandes dores de cabeça. Muitas das multas mais aplicadas no país não acontecem por imprudência extrema, mas por hábitos rotineiros que passam despercebidos. Entender quais são essas infrações é o primeiro passo para evitar prejuízos, preservar a segurança e dirigir com mais tranquilidade.
Quando acelerar demais vira um problema recorrente

Entre todas as infrações de trânsito registradas no Brasil, uma se destaca com folga: o excesso de velocidade. Ele lidera o ranking de autuações nas ruas e estradas do país, impulsionado pelo avanço da fiscalização eletrônica e pela rotina apressada de muitos motoristas.
A infração é dividida em três níveis, conforme o quanto o limite da via é ultrapassado. Ultrapassar até 20% do limite é considerado infração média, com multa de R$ 130,16. Entre 20% e 50%, a penalidade sobe para infração grave, no valor de R$ 195,23. Já quando o excesso passa de 50%, a infração se torna gravíssima: a multa chega a R$ 880,41 e ainda pode resultar na suspensão da CNH.
O problema é que muitos condutores nem percebem que estão acima da velocidade permitida. Mudanças de limite entre vias, trechos mal sinalizados e o hábito de “acompanhar o fluxo” contribuem para esse cenário.
Para evitar esse tipo de multa, a recomendação é simples: atenção constante à sinalização e uso consciente de aplicativos de navegação que informam os limites da via. Manter o pé leve no acelerador pode poupar dinheiro — e vidas.
O celular que distrai e pesa no orçamento
Outra infração que cresce ano após ano é o uso do celular ao volante. Manusear, segurar ou até olhar para o aparelho enquanto dirige é considerado infração gravíssima, com multa de R$ 293,47.
Além da penalidade financeira, o risco de acidentes aumenta de forma significativa. A atenção do motorista é desviada por segundos preciosos, suficientes para causar colisões, atropelamentos ou perda de controle do veículo.
Com o avanço das câmeras inteligentes e da fiscalização automatizada, a tendência é que esse tipo de infração seja cada vez mais punido. O celular, que antes passava despercebido, agora se tornou um dos principais alvos dos agentes de trânsito.
A melhor estratégia é criar um hábito: celular no modo silencioso e fora do alcance das mãos. Se o uso do GPS for necessário, o aparelho deve estar fixado em um suporte adequado, permitindo que o motorista mantenha os olhos na via.
Parar onde não pode ainda rende muitas multas
Nos centros urbanos, estacionar em local proibido é uma das infrações mais comuns. A pressa, a falta de vagas e o “é só um minutinho” acabam gerando multas que variam conforme a gravidade da infração.
Parar sobre calçadas, por exemplo, é infração grave, com multa de R$ 195,23. Já ocupar vagas destinadas a idosos ou pessoas com deficiência sem a devida autorização é infração gravíssima, com multa de R$ 293,47.
Essas infrações não apenas desrespeitam a lei, mas também dificultam a mobilidade de pedestres e de pessoas com necessidades especiais.
Antes de deixar o carro, vale sempre observar placas, faixas pintadas no chão e regras específicas da via. Muitas multas poderiam ser evitadas com alguns segundos de atenção à sinalização.
O sinal vermelho que muitos insistem em ignorar
Avançar o semáforo vermelho é uma das infrações mais perigosas do trânsito urbano. Ainda assim, ela continua entre as mais registradas no país.
A penalidade é severa: infração gravíssima, com multa de R$ 293,47. Mais do que o valor, o risco envolvido é alto. Cruzamentos são pontos críticos de acidentes, e o desrespeito ao sinal aumenta as chances de colisões graves.
Em muitos casos, a infração ocorre por distração ou pela tentativa de “ganhar tempo” quando o sinal está prestes a fechar. No entanto, essa pressa pode custar caro.
Uma dica simples é reduzir a velocidade ao se aproximar de semáforos, mesmo quando estão verdes. Isso permite reagir com mais segurança caso o sinal mude repentinamente.
O cinto esquecido que coloca todos em risco
Apesar de ser uma regra antiga e amplamente divulgada, o uso do cinto de segurança ainda é negligenciado por muitos motoristas e passageiros — especialmente no banco de trás.
Não utilizar o cinto é infração grave, com multa de R$ 195,23. Mais do que isso, trata-se de uma das principais causas de lesões graves em acidentes.
O cinto protege não só quem está usando, mas também os demais ocupantes do veículo. Em uma colisão, passageiros soltos podem se tornar verdadeiros projéteis dentro do carro.
Criar o hábito de só iniciar a viagem depois que todos estiverem com o cinto afivelado é uma medida simples, eficaz e que pode salvar vidas.
Atenção que evita prejuízo
A maioria das multas mais comuns no Brasil não envolve manobras arriscadas ou atitudes extremas. Elas nascem de distrações cotidianas, pressa e hábitos mal ajustados.
Com a intensificação da fiscalização eletrônica e a modernização dos sistemas de monitoramento, as chances de ser flagrado só aumentam. Por isso, dirigir com atenção deixou de ser apenas uma questão de responsabilidade — tornou-se também uma forma de proteger o bolso.
No fim das contas, conhecer as infrações mais frequentes ajuda o motorista a antecipar riscos, corrigir comportamentos e transformar pequenas mudanças em grandes economias.
[Fonte: Estado de Minas]