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Uso de tecnologia eleva combate a placas adulteradas no trânsito de São Paulo

Uma prática irregular se espalhou pelas ruas da maior cidade do país e passou quase despercebida. Nos últimos meses, porém, uma combinação de tecnologia e incentivo mudou o cenário, elevando drasticamente o número de apreensões e reacendendo o debate sobre fiscalização e segurança viária.
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Ao longo de 2025, a cidade de São Paulo enfrentou um aumento expressivo na circulação de veículos com placas adulteradas. O problema, que dificulta a aplicação de multas e a identificação de infratores, começou o ano com números baixos de fiscalização, mas passou a chamar atenção no segundo semestre, quando a prefeitura intensificou as ações de combate.

A escalada das apreensões ao longo do ano

No primeiro semestre, a média mensal de apreensões de veículos com placas adulteradas era inferior a sete. Esse cenário mudou de forma abrupta nos últimos meses. Em outubro, foram recolhidos 125 veículos nessa condição; em novembro, o número chegou a 143. Em dezembro, até a última atualização, já haviam sido 65 apreensões.

Segundo a Prefeitura de São Paulo, o salto nos números não indica necessariamente um aumento repentino da prática, mas sim uma maior capacidade de identificação e resposta das forças de segurança.

Tecnologia como peça central da fiscalização

Um dos fatores decisivos foi a ampliação do sistema Smart Sampa. Desde agosto, cem câmeras com tecnologia de reconhecimento óptico de caracteres (OCR) passaram a ser utilizadas em motocicletas da Guarda Civil Metropolitana e da Polícia Militar.

Esses equipamentos fazem a leitura automática das placas durante o deslocamento e cruzam as informações com bases de dados de segurança pública. Em menos de um minuto, o Sistema Córtex, banco de dados federal, aponta possíveis irregularidades, permitindo abordagens rápidas e mais eficazes.

Incentivo financeiro acelera resultados

Além da tecnologia, a prefeitura implementou um bônus de R$ 1 mil para equipes que apreendem motocicletas roubadas, furtadas ou com placas adulteradas. A combinação de monitoramento inteligente e incentivo financeiro foi apontada pela gestão municipal como responsável pelo aumento significativo das apreensões no segundo semestre.

De acordo com o prefeito Ricardo Nunes, o Smart Sampa registra cerca de 5 mil ocorrências mensais de circulação de placas falsas na cidade, o que ajuda a explicar por que muitas infrações não se convertem em multas.

Por que placas adulteradas são um desafio

Diferentemente das placas clonadas, as placas adulteradas simplesmente não existem nos registros oficiais dos órgãos de trânsito. Quando um veículo com esse tipo de placa passa por um radar, a infração até é detectada, mas não gera multa, pois o sistema não consegue identificar o responsável.

Esse problema tem sido citado pela prefeitura em debates sobre o aumento de acidentes graves, especialmente em áreas como a Faixa Azul, onde a fiscalização eletrônica depende da identificação correta dos veículos.

Resultados e limites do sistema

Até dezembro de 2025, o Smart Sampa havia contribuído para a prisão de mais de 2.200 pessoas e a captura de milhares de foragidos. No entanto, as ocorrências envolvendo veículos — incluindo furtos, roubos e placas adulteradas — somavam cerca de 1.586 casos, número ainda considerado baixo diante da dimensão do problema.

Debate sobre mudanças na regulamentação

Diante desse cenário, a prefeitura tem defendido que o Denatran volte a exigir lacres metálicos nas placas, especialmente em motocicletas. Esses lacres deixaram de ser obrigatórios no modelo Mercosul, facilitando a troca rápida de placas falsas por originais durante abordagens policiais.

O avanço nas apreensões mostra que o problema ganhou visibilidade. Resta saber se as medidas atuais serão suficientes para conter, de forma duradoura, uma prática que compromete a segurança viária e a eficácia da fiscalização urbana.

Fonte: Metrópoles

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