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Ciência

Os relógios terão uma mudança em 2027 — entenda o fim dos segundos intercalares

O UTC passará a funcionar de forma contínua a partir de maio, em uma mudança voltada à sincronização de redes e sistemas digitais.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A referência internacional usada para organizar a hora civil vai mudar em 20 de maio de 2027. A partir dessa data, o Tempo Universal Coordenado, conhecido como UTC, seguirá uma escala contínua, sem os ajustes chamados segundos intercalares. A decisão altera um mecanismo técnico de medição do tempo, mas preserva a organização dos horários locais: países continuarão definindo seus fusos e suas regras de horário de verão.

Por que os relógios precisam de ajustes?

Relogio Tempo
© Unsplash

Existem duas formas diferentes de acompanhar o tempo envolvidas nessa história. Uma utiliza medições atômicas extremamente regulares. A outra acompanha a rotação da Terra, que apresenta pequenas variações naturais.

O Escritório Internacional de Pesos e Medidas, responsável por calcular o UTC, recebe dados de relógios e sistemas de comparação de laboratórios participantes. Essas informações permitem produzir o Tempo Atômico Internacional, uma escala contínua que serve de base ao cálculo.

Os segundos intercalares mantêm o UTC próximo do tempo associado à rotação terrestre, chamado UT1. Assim, o sistema combina a regularidade dos relógios atômicos com uma ligação ao movimento do planeta.

Segundo o Laboratório Nacional de Física do Reino Unido, o NPL, esse mecanismo existe desde 1972. Historicamente, a desaceleração gradual da rotação terrestre tornou necessário acrescentar segundos ocasionalmente para limitar a diferença entre as duas escalas.

O que entra em vigor em maio de 2027

A Resolução 5 da Conferência Geral de Pesos e Medidas de 2026 estabelece que o UTC contínuo começará em 20 de maio de 2027.

O texto amplia para 3.600 segundos, equivalentes a uma hora, o limite permitido para a diferença entre UTC e UT1. Essa margem busca garantir a continuidade da escala por vários séculos.

Isso não representa um salto imediato de uma hora nos relógios. Trata-se do limite para uma divergência que poderá se acumular lentamente entre a contagem atômica e o tempo ligado à rotação terrestre.

A decisão também antecipa uma transformação discutida em 2022, quando a conferência havia determinado ampliar essa diferença máxima até 2035.

Um segundo pode complicar redes inteiras

Embora pareçam insignificantes na rotina, esses ajustes exigem cuidado em sistemas que dependem de sincronização precisa.

O NPL explica que implementar segundos intercalares de maneira incorreta pode gerar diferenças de horário entre redes. Isso cria riscos para serviços como telecomunicações e distribuição de eletricidade.

A possibilidade de um segundo intercalar negativo aumentou a preocupação. Nesse cenário, seria necessário retirar um segundo da escala, um procedimento nunca aplicado anteriormente.

A rotação terrestre acelerou em anos recentes, tornando essa hipótese relevante. Para os responsáveis pela infraestrutura, uma escala contínua reduz a incerteza sobre ajustes futuros e simplifica a manutenção de sistemas sincronizados.

Fusos horários continuam sendo outra questão

RelógiOS Atômicos
© Scott Webb

O UTC já funciona como referência internacional e como base da hora civil na maioria dos países. A mudança de 2027 não significa que todas as cidades passarão a mostrar o mesmo horário.

Fusos e horário de verão envolvem decisões sobre a hora adotada em cada território. Os segundos intercalares, por sua vez, dizem respeito ao funcionamento da própria escala de referência.

A astronomia também continuará acompanhando a rotação terrestre. O NPL destaca que o UT1 seguirá monitorado e que sua diferença em relação ao UTC continuará disponível pelos serviços internacionais. A nova regra muda a forma de conciliar essas medições, mantendo as informações necessárias para aplicações científicas e navegação astronômica.

 

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