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Osgood Perkins, de The Monkey, fala sobre Stephen King, humor e comparações com Premonição

O novo filme de terror do diretor de Longlegs é estrelado por Theo James, Tatiana Maslany, Elijah Wood e um brinquedo de macaco muito assustador.
Por Cheryl Eddy Traduzido por

Tempo de leitura: 5 minutos

Após uma série de prévias sangrentas, The Monkey está prestes a chegar aos cinemas. (Você pode ler a crítica do io9 aqui.) O io9 teve a oportunidade de conversar com o roteirista e diretor Osgood Perkins, que se destacou no ano passado com Longlegs, antes da estreia do novo filme. The Monkey também é um filme de terror, mas com um tom bastante diferente, influenciado tanto por sua origem como conto de Stephen King quanto pela versatilidade criativa de Perkins.

io9: Fiquei surpreso com a quantidade de humor no filme. O que guiou sua decisão de adotar esse tom quase cômico?

Osgood Perkins: Eu senti que não queria abordar um filme sobre um macaco de brinquedo maligno com total seriedade. A vida é curta e, quando você tem a chance de entreter as pessoas, acho que isso é mais importante do que qualquer outra coisa neste momento, enquanto a história avança em direção ao que quer que seja. Além disso, se eu fosse fazer um filme sobre a morte, sobre a temida palavra com D, eu queria fazê-lo com um sorriso. Não queria deixar ninguém deprimido.

io9: The Monkey demonstra que sempre há novas maneiras de adaptar Stephen King. Como é fazer parte dessa tradição e o que torna seu filme único em relação aos outros?

Perkins: Acho que o filme se encaixa com Creepshow e Misery, por ter aquele toque fantasioso e divertido. Desde o momento em que recebi esse material e fui abençoado com a oportunidade de dirigi-lo, eu quis que ele fosse feito com reverência ao mestre. Se levei algo a sério durante o desenvolvimento deste filme, foi o desejo de prestar homenagem ao Sr. King e a tudo o que ele nos deu.

Quando você tem a chance de criar algo e se expressar—bem, que oportunidade, que presente, que privilégio! E eu quis retribuir esse privilégio com humildade, reverência e homenagem. Assim, a ideia foi fazer um filme de Stephen King que parecesse um filme de Stephen King, sem tentar ser outra coisa. Acho que King tem um ótimo senso de humor e, ao mesmo tempo, uma melancolia marcante em muitos de seus trabalhos. Ele sempre dá importância à família, aos pais, aos filhos—temas que estão sempre no centro de sua obra. Eu queria que esse filme fosse, para mim, uma dedicatória a ele.

io9: Stephen King já assistiu? O que ele achou?

Perkins: Ele tuitou—você devia conferir, porque eu provavelmente não vou citar com exatidão. Mas ele escreveu: “The Monkey é diferente de qualquer filme que você já viu. É insanamente maluco. E, como alguém que já se envolveu em maluquices de vez em quando, digo isso com admiração.”

Você percebe que eu memorizei, porque foi a coisa mais legal que alguém já disse sobre o filme. [Nota: É quase palavra por palavra, mas você pode conferir a postagem original de King no Threads.]

io9: No conto original, o macaco bate pratos. Mas no filme, ele gira uma baqueta e toca um tambor. Por que mudou esse detalhe?

Perkins: Quando os produtores trouxeram o projeto, disseram: “Você pode fazer o que quiser, menos usar os pratos, porque a Disney tem os direitos sobre os pratos.” Isso porque a Disney usou o macaco com pratos em uma das sequências de Toy Story. E, como a Disney faz, a Disney possui. Então, não podíamos usar.

Por um momento, isso pareceu uma perda. Mas logo pensei: “Eu posso usar um tambor. Tambores são percussivos, têm energia, têm ritmo—e… oh, uma rufada de tambor, um toque de caixa! Tambores são melhores!” Então, obrigado, Disney, por tirar os pratos e me obrigar a inovar. É um clássico exemplo de como as limitações podem florescer em novas ideias durante uma produção.

io9: E por que você escolheu incluir a baqueta girando, como uma espécie de prelúdio?

Perkins: Tommy Lee!

io9: Perfeito.

Perkins: Era só um toque divertido, uma graça a mais que o brinquedo poderia fazer. Sabe aquele giro de baqueta típico do heavy metal? Ou até mesmo o Buddy Rich fazia isso, certo? É puro estilo. É um floreio.

io9: O macaco tem estilo! As cenas de gore do filme são exageradas, com mortes criativas. Você fez uma lista de “maneiras horríveis de morrer” ou como foi o processo criativo?

Perkins: Já falei sobre isso em várias entrevistas. Como roteirista, você se senta todo dia, o máximo que consegue, em uma rotina, e sangra no papel pelo tempo que for necessário. Há dias bons e dias ruins, dias em que a inspiração vem e dias em que não.

Minha única regra foi: nenhuma dessas mortes pode ser realista. Nenhuma delas poderia acontecer na vida real. Água de piscina e eletricidade não funcionam assim na física. Facas de hibachi não são afiadas o suficiente para decapitar alguém. Desde que eu mantivesse o filme no reino de Itchy e Scratchy ou Wile E. Coyote, eu estava no caminho certo. Usei isso como meu norte.

io9: Você já ouviu as comparações com os filmes da série Premonição (Final Destination)? O que acha delas?

Perkins: Não penso muito nisso. Para ser sincero, acho que nunca vi um filme de Premonição. E é engraçado, porque a distância entre o que eu faço e a ideia de que eu teria sentado para assistir Premonição e pensado “Vou tentar fazer isso” é enorme—não consigo nem relacionar essas duas coisas.

Entendo a comparação por causa daquela qualidade Rube Goldberg, do tipo “como isso vai acontecer?”, então faz sentido. Não me incomoda, mas não foi minha inspiração.

io9: O personagem de Elijah Wood é muito detalhado. Ele foi inspirado em alguém específico?

Perkins: Não, ele é basicamente aquele pai fanfarrão, que acha que sabe tudo sobre paternidade, mas que, na realidade, está perdido. Acho que a maioria de nós, pais, admite e aceita que estamos fazendo o melhor possível—e errando muito ao longo do caminho. Nenhum de nós escreveu o manual definitivo sobre como ser pai.

Eu queria criar a versão mais repelente possível desse pai, alguém que está esperando para assumir o controle se o personagem de Theo James, Hal, falhar.

io9: O filme traz a clássica dualidade “gêmeo bom/gêmeo mau” entre Hal e Bill. Por que explorar esse tema e por que ele funciona tão bem em The Monkey?

Perkins: Eu queria abraçar um clichê clássico do terror. Quem viu Longlegs sabe que eu gosto dessa estética meio pop art do horror. E, neste caso, eu queria que o filme tivesse uma vibe de Stephen King, então usei o máximo possível de elementos inquietantes.

É comum ver crianças gêmeas assustadoras, como em O Iluminado (The Shining). Sei que as gêmeas Grady foram uma invenção de Kubrick, não de King; no livro, são apenas irmãs. Mas, com todo respeito, achei interessante trazer essa sensação de estranheza com gêmeos adultos, algo que não se vê com tanta frequência.

Além disso, era uma oportunidade de explorar o conceito de que duas pessoas podem viver experiências idênticas e ainda assim se tornarem pessoas completamente diferentes. Essa é, na verdade, a história para mim e para meu irmão, que inspirou muito do filme. A ideia de que você pode passar pelas mesmas coisas, mas ser afetado de formas completamente distintas.

The Monkey estreia nos cinemas em 21 de fevereiro.

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