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Tecnologia

Papa Leão XIV rejeita ideia de IA consciente e pede proibição de armas autônomas

Pontífice defende controle humano sobre decisões que envolvem vidas e cobra instituições internacionais para fiscalizar o desenvolvimento da tecnologia.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O papa Leão XIV quer que os países “desarmem” a inteligência artificial. Em um discurso nesta sexta-feira, o pontífice pediu que os integrantes das Nações Unidas adotem medidas concretas para proibir armas autônomas letais durante uma reunião prevista para novembro, em Genebra.

Leão também defendeu a criação de instituições internacionais para acompanhar o desenvolvimento da IA e rejeitou a ideia de tratar esses sistemas como pessoas. Para ele, atribuir experiências ou consciência às máquinas pode dificultar a identificação de quem responde pelos danos que elas provocam.

“Máquinas são ferramentas, não pessoas”

No discurso publicado pelo Vaticano, Leão afirmou que o futuro da inteligência artificial depende de decisões humanas.

“O futuro da inteligência artificial não está predeterminado. Como tecnologia desenvolvida por seres humanos, seu futuro depende das escolhas que fazemos”, declarou. Por isso, acrescentou, cabe à sociedade orientar, modificar e, quando necessário, rejeitar suas aplicações.

O pontífice propôs uma mudança no centro do debate. Além de perguntar o que a IA consegue fazer, seria necessário discutir a finalidade de seu uso.

Em seguida, afirmou que “máquinas são ferramentas, não pessoas” e retomou uma passagem de sua encíclica de maio de 2026, sua primeira grande declaração doutrinária e documento que apresenta a posição da Igreja Católica sobre a tecnologia.

“As chamadas inteligências artificiais não vivenciam experiências, não possuem um corpo, não sentem alegria ou dor, não amadurecem por meio de relacionamentos e não conhecem por dentro o significado do amor, do trabalho, da amizade ou da responsabilidade”, citou.

O risco de esconder a responsabilidade humana

Para Leão, tratar a IA como se tivesse experiências conscientes pode obscurecer a responsabilidade das pessoas e empresas por trás dos sistemas. Nesse cenário, quem sofre algum dano acabaria diante de uma entidade sem rosto, sem saber a quem cobrar explicações ou reparação.

A declaração se aproxima de uma discussão que divide o setor de tecnologia. Parte dos defensores do chamado bem-estar de modelos considera que sistemas avançados poderiam merecer alguma consideração moral. Críticos argumentam que esse discurso atribui características humanas a programas e pode desviar a atenção das decisões de seus desenvolvedores.

O alerta do papa também alcança a relação entre usuários e chatbots. A forma como as empresas apresentam esses produtos pode influenciar o que as pessoas acreditam sobre seus interlocutores digitais e sobre a natureza do vínculo que estabelecem com eles.

Decisões sobre vidas não devem ficar nas mãos da IA

Leão afirmou que certas decisões nunca devem ser delegadas às máquinas. Entre elas estão as que afetam a vida humana, a liberdade e o uso da força.

O pontífice mencionou listas de alvos elaboradas com auxílio de IA, bases de dados utilizadas no controle de fronteiras e armas autônomas. Esses exemplos colocam a discussão em situações nas quais uma decisão automatizada pode ter consequências diretas para pessoas.

Seu pedido mais concreto foi dirigido aos países que participarão da reunião de novembro em Genebra: avançar em medidas para proibir armas autônomas letais.

A posição dá continuidade a uma preocupação do Vaticano. O papa Francisco, antecessor de Leão, também havia defendido uma proibição desse tipo de armamento.

Regras, fiscalização e reparação

O papa afirmou ainda que as tecnologias inteligentes devem servir ao bem comum. Para transformar esse princípio em prática, defendeu maior cooperação internacional.

Segundo Leão, são necessárias instituições capazes de estabelecer padrões compartilhados, realizar fiscalização independente e definir mecanismos claros de responsabilização.

Essas estruturas deveriam permitir que decisões sobre o desenvolvimento e o uso da IA fossem examinadas e, quando necessário, contestadas. Também precisariam prever formas adequadas de reparar danos.

A atenção do pontífice às transformações tecnológicas acompanha a escolha de seu nome. Leão XIV já indicou que se inspirou em Leão XIII, que comandou a Igreja durante outro período de mudanças profundas no trabalho e na sociedade. Agora, ele apresenta a inteligência artificial como uma tecnologia cujo rumo exige escolhas humanas e instituições capazes de responder por elas.

 

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