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Ciência

Para combater caças ilegais, cientistas sul-africanos estão recorrendo a uma solução extrema: injetar material radioativo em chifres de rinocerontes vivos

A estratégia mais ousada contra caçadores de rinocerontes revela um plano que ninguém esperava. A medida visa tornar o contrabando mais rastreável e dissuadir o consumo humano, criando um novo capítulo na luta pela preservação desses animais.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Diante do avanço implacável da caça ilegal, a ciência decidiu ir além dos métodos tradicionais de conservação. Uma equipe sul-africana está implementando uma técnica tão inusitada quanto audaciosa: injetar radioatividade em chifres de rinocerontes para protegê-los. A medida, embora polêmica, busca barrar o tráfico desses animais com o uso da tecnologia presente em aeroportos e fronteiras.

Um método radical para enfrentar uma crise crescente

Para combater caças ilegais, cientistas sul-africanos estão recorrendo a uma solução extrema: injetar material radioativo em chifres de rinocerontes vivos
© Pexels

A África do Sul, que abriga a maior população de rinocerontes do mundo, também concentra os maiores índices de caça ilegal desses animais. A razão? O alto valor de seus chifres no mercado negro, principalmente na Ásia, onde são usados na medicina tradicional e como símbolo de status. O quilo pode chegar a 60 mil dólares, superando o valor de ouro, cocaína e diamantes.

Diante desse cenário alarmante, cientistas da Universidade de Witwatersrand, em Johanesburgo, decidiram agir. Através do Projeto Rhisotope, estão injetando pequenas doses de material radioativo em 20 rinocerontes vivos. A ideia é simples: tornar os chifres detectáveis em scanners de segurança presentes em aeroportos e postos de fronteira, os mesmos usados para identificar ameaças nucleares.

Segundo o professor James Larkin, responsável pelo projeto, a escolha do método foi cuidadosamente estudada para não afetar a saúde dos animais ou do meio ambiente. A aplicação envolve chips radioativos acompanhados da pulverização de milhares de micropontos ao redor da área do chifre. O material tem duração de cerca de cinco anos, o que o torna mais econômico do que outros métodos de proteção, como a remoção periódica dos chifres.

Efeitos colaterais para o tráfico e para o consumo humano

Além da função de rastreamento, a presença do material radioativo torna os chifres essencialmente “tóxicos” para consumo humano. Isso representa um segundo nível de dissuasão, já que os compradores e traficantes passariam a correr riscos reais ao tentar utilizá-los. A combinação de risco à saúde com rastreabilidade imediata nas fronteiras cria uma barreira dupla para o comércio ilegal.

Outro ponto crucial é que o projeto pode ser expandido no futuro para outros animais ameaçados, como elefantes e pangolins, ampliando ainda mais o impacto da iniciativa. Os cientistas reforçam que todo o procedimento é acompanhado por veterinários e que não há registros de efeitos colaterais nos animais envolvidos.

A urgência por soluções inovadoras

Os números reforçam a gravidade da situação. Só em 2023, foram registrados 499 rinocerontes mortos na África do Sul, um aumento de 11% em relação ao ano anterior, segundo o Ministério do Meio Ambiente do país. A maioria das mortes ocorreu dentro de parques estaduais, mesmo com os esforços governamentais para proteger os animais.

A aplicação da radioatividade em chifres pode parecer extrema, mas, diante da brutalidade da caça ilegal e da ineficiência de outras medidas preventivas, ela surge como uma resposta à altura do desafio. Combinando ciência, tecnologia e coragem, os pesquisadores apostam em uma mudança real na forma como se protege espécies ameaçadas — mesmo que isso signifique recorrer a soluções antes impensáveis.

[Fonte: IGN]

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