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Ciência

Parche inteligente ajuda a controlar vícios e emoções negativas em pessoas em recuperação

Um estudo clínico nos Estados Unidos mostrou que um novo parche inteligente pode reduzir o desejo por álcool e drogas e melhorar o bem-estar emocional em pessoas em recuperação. O dispositivo usa sensores cardíacos e inteligência artificial para detectar estresse e orientar exercícios de respiração em tempo real.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Pesquisadores americanos desenvolveram um parche inteligente capaz de ajudar pessoas em tratamento contra o vício a controlar os impulsos e emoções negativas. O dispositivo, que utiliza biorretroalimentação da variabilidade da frequência cardíaca, reduziu significativamente o consumo e o mal-estar em um ensaio clínico com 120 participantes. Publicado na revista JAMA Psychiatry, o estudo indica que essa tecnologia pode revolucionar o tratamento de dependências químicas de forma acessível e sem efeitos colaterais.

Um novo aliado contra o vício

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© Unsplash

O experimento avaliou o uso diário do dispositivo em pessoas no primeiro ano de recuperação de transtornos por uso de substâncias. Esse período é o mais delicado, quando o risco de recaída é alto e muitos pacientes têm dificuldade em reconhecer e regular suas emoções.

“Uma das características da recuperação precoce é a baixa autopercepção dos estados emocionais”, explicou o psicólogo David Eddie, autor principal do estudo e pesquisador do Instituto de Pesquisa sobre Recuperação do Hospital Geral de Massachusetts.

O resultado foi promissor: os participantes que usaram o parche tiveram menos desejos de consumo e melhor humor, além de 64% menos dias de recaída em comparação ao grupo que seguiu apenas com o tratamento convencional.

Como funciona o dispositivo

Risco Cardíaco
© Janulla – Getty Images

O parche é um sensor portátil, aplicado sobre a pele, que monitora continuamente a frequência cardíaca do usuário. Ele detecta alterações sutis associadas ao estresse e aos impulsos de consumo. Quando percebe um padrão de risco, o dispositivo aciona uma resposta automática via inteligência artificial: envia sinais visuais ou sonoros para que o usuário faça exercícios guiados de respiração.

Essas práticas aumentam a variabilidade da frequência cardíaca — um indicador de regulação emocional e resiliência fisiológica —, ajudando a restaurar o equilíbrio interno.

Durante as oito semanas de duração do ensaio, os voluntários usaram o parche por pelo menos oito horas diárias, acompanhando os exercícios propostos e registrando seus estados de ânimo e desejos em um aplicativo de celular.

Resultados: menos estresse, menos recaídas

Os dados mostraram que o grupo com o parche apresentou queda significativa nas emoções negativas e nos impulsos para consumir álcool ou drogas. Já no grupo controle, os índices de ansiedade e desejo aumentaram com o passar das semanas.

A análise também revelou que a intervenção rompeu o ciclo automático entre o desejo e o consumo: os participantes que realizaram as sessões de respiração quando sentiram vontade de usar substâncias foram menos propensos a consumir naquele mesmo dia.

“Os resultados sugerem que o dispositivo atua diretamente sobre os mecanismos fisiológicos do desejo, oferecendo suporte em tempo real para evitar recaídas”, explicaram os autores no artigo publicado em JAMA Psychiatry.

Tecnologia de baixo custo e sem efeitos colaterais

O estudo, financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, não registrou efeitos adversos. No entanto, seis voluntários do grupo experimental desistiram, o que pode indicar que a exigência de uso diário ainda é um desafio.

Mesmo assim, os pesquisadores acreditam que o baixo custo, a facilidade de integração com smartphones e a ausência de riscos tornam o parche uma alternativa atraente para complementar terapias tradicionais, como psicoterapia e grupos de apoio.

Um futuro promissor para o tratamento de dependências

Embora o ensaio tenha envolvido apenas 120 pessoas e não inclua um grupo placebo, os resultados apontam um caminho promissor. O próximo passo será realizar ensaios clínicos de fase 3 com amostras maiores e acompanhamento a longo prazo para confirmar a eficácia.

Se comprovado, o dispositivo poderá se tornar uma ferramenta essencial para quem luta contra a dependência, oferecendo um apoio tecnológico, acessível e empático para recuperar o controle sobre corpo e mente.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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