A pele é o maior órgão do corpo humano e sua função vai além de proteger contra agentes externos. Ela também reflete o que acontece internamente. Estudos e especialistas apontam que determinadas mudanças cutâneas podem ser os primeiros indícios de doenças metabólicas. Entre elas estão a diabetes, o colesterol descompensado e até condições hormonais e renais. Saber interpretar esses sinais pode salvar vidas.
Alterações que merecem atenção
A diabetes é uma das principais doenças ligadas a manifestações cutâneas, mas não é a única. Segundo a dermatologista Regina Carneiro, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), lesões na pele também podem indicar colesterol elevado e outras alterações metabólicas. Reconhecer os sintomas logo no início é essencial para evitar complicações graves.
Manchas escuras no pescoço e axilas
Conhecidas como acantose nigricans, essas manchas são comuns em pessoas com diabetes, pré-diabetes ou resistência à insulina. O excesso de hormônio circulando no organismo acelera a reprodução das células da pele, causando o escurecimento em regiões como pescoço e axilas.
Acrocórdons
Pequenas lesões benignas que lembram bolhas penduradas. Surgem em áreas como pescoço, axilas e dobras do corpo. Embora inofensivos, podem ser sinal de resistência à insulina, diabetes tipo 2 e obesidade.
Xantelasma
Caracterizado por manchas amareladas ao redor das pálpebras, o xantelasma é causado pelo acúmulo de colesterol. Muitas vezes aparece acompanhado de inchaços ou placas na região, funcionando como alerta para investigar o metabolismo lipídico.
Pele seca, coceira e feridas que não cicatrizam
A pele ressecada e a coceira persistente podem estar relacionadas a doenças metabólicas e hormonais, incluindo alterações renais e hepáticas. Já feridas que demoram a cicatrizar são um dos sinais clássicos da diabetes, resultado da má circulação sanguínea e da perda de sensibilidade nos nervos periféricos.

Quando doenças de pele pioram
A dermatologista Paola Canabrava explica que condições metabólicas também agravam doenças cutâneas já existentes. Psoríase, acne e até vitiligo podem se intensificar devido ao descontrole interno, que afeta imunidade, cicatrização e processos celulares da pele. Isso torna o organismo mais suscetível a infecções e inflamações.
Como prevenir
A prevenção começa pelo controle dos níveis de glicemia e colesterol. Uma alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos e cuidados simples com a pele, como hidratação e higiene diária, ajudam a evitar complicações.
Regina Carneiro lembra que o dermatologista pode ser peça-chave na detecção precoce: “O paciente procura atendimento por causa de manchas no pescoço, sem imaginar que pode estar com diabetes”. Ou seja, a pele pode revelar muito mais do que aparenta.
Fonte: Metrópoles