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Pentágono coloca Elon Musk à frente de projeto para definir as armas do futuro

Elon Musk, Palmer Luckey e Newt Gingrich terão 120 dias para identificar tecnologias e sistemas militares que os Estados Unidos poderão precisar nos conflitos das próximas décadas.
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Tempo de leitura: 4 minutos

O Pentágono convocou alguns dos nomes mais conhecidos da tecnologia e da política americana para tentar antecipar como serão as guerras do futuro. Elon Musk, CEO da Tesla e da SpaceX, será um dos responsáveis pelo Projeto Meridian, iniciativa anunciada em 30 de setembro pelo secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth.

Musk dividirá a liderança com Palmer Luckey, fundador da empresa de defesa Anduril, e Newt Gingrich, ex-presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. O diretor de tecnologia do Pentágono, Emil Michael, supervisionará os trabalhos.

O grupo terá apenas 120 dias para identificar tecnologias, armas e capacidades militares que poderão se tornar decisivas em futuros conflitos.

Projeto Meridian quer antecipar os campos de batalha do futuro

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© YouTube – UBH

O projeto foi apresentado durante o discurso sobre o Estado da Força realizado por Hegseth na Base do Corpo de Fuzileiros Navais de Quantico, na Virgínia.

A iniciativa não foi criada para elaborar uma nova estratégia militar. Seu objetivo é identificar antecipadamente quais áreas tecnológicas os Estados Unidos precisam desenvolver e quais capacidades suas Forças Armadas deverão dominar.

“O objetivo é identificar os domínios que devemos conquistar e as capacidades que devemos dominar”, afirmou Hegseth.

O campo de análise será extremamente amplo. O grupo deverá estudar possíveis ambientes de combate que vão do subsolo ao espaço cislunar — região compreendida entre a Terra e a Lua.

Isso inclui desde operações realizadas em túneis e cavernas até tecnologias destinadas a atuar muito além da superfície terrestre.

A ideia é evitar que determinadas capacidades comecem a ser desenvolvidas apenas quando um conflito já tiver demonstrado sua necessidade.

Musk e Luckey também possuem negócios com o Pentágono

A participação de Musk e Luckey chama atenção por outro motivo: ambos comandam empresas que mantêm negócios com o governo americano.

A SpaceX tornou-se uma fornecedora importante de lançamentos, satélites e comunicações para diferentes órgãos dos Estados Unidos. A Anduril, cofundada por Luckey, também cresceu rapidamente no setor militar, desenvolvendo drones, sistemas autônomos e tecnologias de defesa.

Isso significa que dois dos responsáveis por identificar algumas das necessidades tecnológicas futuras das Forças Armadas também comandam empresas potencialmente capazes de desenvolver sistemas para atender a essas demandas.

Essa sobreposição levantou questionamentos públicos sobre possíveis conflitos de interesse. O comunicado oficial que apresentou o Projeto Meridian, porém, concentrou-se nos objetivos e na composição da iniciativa.

Musk, Luckey e Gingrich não possuem experiência de serviço nas Forças Armadas americanas. A escolha dos três reflete justamente a intenção do Pentágono de buscar perspectivas fora da estrutura militar tradicional.

Pentágono também cria um comando para guerras com drones e robôs

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© Pexels

O Projeto Meridian é apenas uma das seis iniciativas anunciadas por Hegseth em Quantico.

Entre as principais está a criação do Autonomous Warfare Command, ou Comando de Guerra Autônoma, uma nova estrutura militar de quatro estrelas destinada a acelerar a adoção de sistemas autônomos e robóticos em diferentes áreas das Forças Armadas.

O novo comando deverá integrar e ampliar o uso de drones, robôs e outras plataformas não tripuladas. A previsão oficial é que a estrutura esteja operacional em 1º de outubro de 2027.

O Pentágono considera que a rápida evolução dessas tecnologias pode alterar profundamente não apenas os equipamentos utilizados pelos militares, mas também doutrinas, organizações e conceitos tradicionais de guerra.

A experiência recente em conflitos como o da Ucrânia também colocou os drones no centro dessa discussão. Sistemas relativamente baratos passaram a desempenhar funções que antes dependiam de equipamentos militares muito mais caros.

Projeto Agincourt quer acelerar a adoção de sistemas autônomos

Outra iniciativa anunciada é o Projeto Agincourt, voltado especificamente para acelerar a incorporação de drones e plataformas autônomas.

A proposta parte da ideia de que as Forças Armadas precisarão combinar sistemas sofisticados e caros com grandes quantidades de equipamentos autônomos de menor custo.

Essa transformação não envolve apenas drones aéreos. Veículos terrestres, embarcações não tripuladas, sistemas de inteligência artificial e outras tecnologias autônomas podem assumir funções cada vez maiores nos futuros campos de batalha.

O objetivo do Pentágono é diminuir o tempo necessário para transformar essas tecnologias em equipamentos efetivamente disponíveis para as tropas.

Bases militares também devem ganhar maior autonomia

O pacote anunciado por Hegseth inclui ainda o programa FORTRESS America, sigla para Federal Operations for Resilience, Troop Resources, Energy, Supply, and Survivability.

A iniciativa pretende aumentar a capacidade das instalações militares americanas de continuar funcionando mesmo diante de ataques ou interrupções na infraestrutura civil.

Entre os objetivos estão ampliar a autonomia energética das bases, fortalecer cadeias de suprimentos consideradas estratégicas e manter reservas de munições, combustíveis e materiais críticos.

A preocupação é que futuros conflitos não aconteçam apenas nos campos de batalha tradicionais. Ataques cibernéticos, sabotagens ou interrupções de redes elétricas também podem comprometer instalações militares sem que um único disparo seja realizado.

Pentágono quer construir uma nova grande base militar

Hegseth também anunciou o projeto Next Great American Base, que pretende selecionar um local para a construção de uma nova instalação militar de grande escala dentro dos Estados Unidos.

Governadores estaduais poderão apresentar propostas para receber a futura base.

O pacote inclui ainda a criação de uma nova estrutura dedicada a assuntos religiosos e um programa chamado America’s Corps of Cadets, destinado a ampliar a formação de futuros oficiais em universidades selecionadas.

Entre as instituições mencionadas estão Louisiana State University, Liberty University, Tuskegee University, Mississippi State University e Hillsdale College.

Juntas, as medidas mostram uma tentativa de preparar as Forças Armadas americanas para um cenário no qual inteligência artificial, drones, robótica, sistemas autônomos, novas fontes de energia e tecnologias espaciais podem desempenhar um papel cada vez maior.

No caso do Projeto Meridian, a primeira resposta sobre quais dessas tecnologias devem receber prioridade chegará rapidamente: Musk, Luckey e Gingrich terão 120 dias para entregar suas conclusões sobre como poderá ser o arsenal americano das próximas décadas.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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