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Tecnologia

A tecnologia já está mudando a forma como escolhemos nossas viagens e talvez você nem tenha percebido

Da escolha do destino à reserva do hotel, uma transformação silenciosa está acontecendo no turismo. E ela pode mudar até a maneira como descobrimos nossa próxima viagem.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Durante muito tempo, organizar uma viagem significava consultar guias, procurar recomendações, comparar hotéis e recorrer a agências especializadas. A internet simplificou boa parte desse processo, mas uma nova transformação promete ir muito além. A inteligência artificial começa a interferir diretamente na maneira como destinos são descobertos, opções são comparadas e reservas são realizadas. Para o setor turístico, isso abre oportunidades enormes, mas também traz uma pergunta inevitável: até onde a tecnologia deve decidir por nós?

A inteligência artificial entrou em praticamente todas as etapas da viagem

A tecnologia já está mudando a forma como escolhemos nossas viagens e talvez você nem tenha percebido
© Pexels

A tecnologia transforma o turismo há décadas. Primeiro vieram os sistemas informatizados das agências, depois as reservas pela internet, os comparadores de preços, aplicativos e plataformas capazes de colocar milhares de hotéis e voos na tela de qualquer smartphone.

Agora, a inteligência artificial acelera novamente essa mudança.

O assunto esteve no centro de um encontro organizado pela Belvera Partners por ocasião do World Tourism Day, celebrado em 27 de setembro. O evento reuniu especialistas de diferentes segmentos da indústria para discutir como a digitalização e a IA estão redesenhando o setor.

Entre os participantes estavam Catt McLeod, da Elegant Hotels of the World, que faz parte da HotelREZ Hotels & Resorts; Ivonne Arriola, da Connect by PriceTravel Holding; e Daniel Pino, cofundador e CEO da Aloja.

Um dos pontos levantados durante a discussão mostra o tamanho da transformação. Atividades que antes dependiam quase exclusivamente de profissionais especializados passaram diretamente para as mãos dos viajantes.

Hoje, qualquer pessoa pode pesquisar hotéis, comparar preços, montar roteiros e reservar experiências. Com a IA, essa autonomia pode crescer ainda mais.

O próximo destino pode ser escolhido de uma maneira completamente diferente

Uma das maiores mudanças está acontecendo antes mesmo de o viajante decidir para onde deseja ir.

Ferramentas baseadas em inteligência artificial conseguem analisar grandes volumes de informações, identificar preferências e apresentar sugestões cada vez mais específicas. Em vez de navegar por dezenas de páginas procurando um hotel, por exemplo, um usuário pode simplesmente explicar o que deseja e receber opções selecionadas.

Isso também modifica profundamente o trabalho das empresas.

Arriola destaca que a IA permite processar enormes quantidades de dados para compreender melhor as necessidades dos clientes. O resultado pode ser uma oferta muito mais personalizada.

Para Pino, praticamente tudo aquilo que acontece ao redor da viagem pode passar por mudanças profundas: descoberta, reservas, distribuição e até estratégias utilizadas pelas empresas para melhorar sua rentabilidade.

Existe, entretanto, uma fronteira importante.

A tecnologia pode escolher opções, organizar informações e simplificar decisões, mas a experiência de caminhar por uma cidade desconhecida, conversar com moradores ou descobrir um restaurante continua pertencendo ao viajante.

É justamente essa divisão entre eficiência digital e experiência humana que começa a definir a próxima fase do turismo.

Uma queda nas reservas pode esconder um problema completamente diferente

A tecnologia já está mudando a forma como escolhemos nossas viagens e talvez você nem tenha percebido
© pexels

A transformação também cria um desafio para hotéis, companhias e outras empresas do setor.

Se os consumidores começarem a utilizar assistentes de IA para descobrir destinos e comparar alternativas, os tradicionais caminhos que levam alguém até uma reserva podem perder importância.

Isso significa que uma empresa pode registrar menos vendas sem que necessariamente exista menos gente querendo viajar.

O problema pode estar na maneira como ela está sendo encontrada.

Segundo Pino, descoberta e reserva já estão mudando em uma velocidade difícil de acompanhar. Empresas precisarão, portanto, observar não apenas a demanda, mas também como seus clientes chegam até elas.

Marketing, distribuição e aquisição de consumidores terão de se adaptar a um cenário no qual algoritmos podem funcionar como novos intermediários.

É uma mudança semelhante àquela provocada anteriormente pelos buscadores, redes sociais e grandes plataformas de reservas. A diferença é que agora o consumidor pode pedir diretamente a um sistema inteligente que selecione as melhores alternativas para determinada viagem.

A tecnologia avança mais rápido que as regras

Quanto maior o papel da inteligência artificial, maiores também são as dúvidas sobre privacidade e utilização de dados.

Para oferecer recomendações realmente personalizadas, sistemas precisam conhecer preferências, histórico e comportamento dos viajantes. Isso torna a governança dessas informações uma questão central.

Arriola alerta que a tecnologia avançou mais rapidamente do que as regulamentações capazes de acompanhá-la. Por isso, defende mecanismos de controle e supervisão humana.

Outro desafio está na capacitação.

Nem todas as empresas ou regiões possuem o mesmo acesso às novas ferramentas. McLeod chama atenção para a necessidade de ampliar habilidades digitais para evitar que a inteligência artificial crie uma nova diferença competitiva entre grandes companhias e negócios menores.

O paradoxo é que a mesma tecnologia capaz de democratizar recursos antes reservados a especialistas também pode ampliar desigualdades entre aqueles que conseguem utilizá-la e os que ficam para trás.

Existe uma parte da viagem que a IA ainda não consegue substituir

O turismo sempre dependeu de tecnologia, mesmo quando ela era quase invisível para o viajante. Sistemas de reservas, bancos de dados e plataformas de distribuição já determinavam boa parte do que aparecia diante do consumidor.

A inteligência artificial torna esse processo mais poderoso e, ao mesmo tempo, mais perceptível.

Ela pode encontrar um voo, sugerir um destino, montar um roteiro e indicar onde dormir. Também pode ajudar empresas a prever demandas e personalizar ofertas.

Mas há uma diferença entre organizar uma viagem e vivê-la.

Essa é a fronteira que os especialistas acreditam que continuará sendo fundamental. Afinal, nenhuma recomendação algorítmica substitui completamente aquilo que acontece depois que o viajante fecha o aplicativo, guarda o celular e finalmente chega ao destino.

A tecnologia pode decidir cada vez mais sobre como viajamos. O desafio para o turismo será garantir que ela não acabe decidindo também aquilo que torna uma viagem memorável.

[Fonte: pulso turistico]

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