Pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) começaram a receber atendimento em hospitais de planos de saúde por meio do programa “Agora Tem Especialistas”, do Ministério da Saúde. A ação transforma dívidas das operadoras privadas com o SUS em consultas, exames e cirurgias, sem custo extra para o sistema público, e tem potencial de movimentar mais de R$ 1 bilhão por ano.
Como funciona o programa
O modelo permite que operadoras privadas convertam suas dívidas com o SUS em atendimento especializado. Essas dívidas surgem quando beneficiários de planos são atendidos na rede pública, gerando a obrigação de ressarcimento. Em vez de pagar em dinheiro, as empresas podem oferecer consultas, exames e procedimentos definidos conforme a demanda dos estados e municípios.
Primeiros atendimentos em Recife
A rede Hapvida foi a primeira a aderir, realizando os primeiros atendimentos no Hospital Ariano Suassuna, na capital pernambucana. Oito pacientes — incluindo uma criança e adultos de 23 a 67 anos — foram atendidos para procedimentos como artroplastia de quadril, cirurgias de vesícula, tomografias e ressonâncias magnéticas. Muitos aguardavam há meses na fila do SUS.
Especialidades prioritárias
O Ministério da Saúde informou que a prioridade será atender áreas com longas filas de espera, como oncologia, cardiologia, ortopedia, ginecologia, otorrinolaringologia e oftalmologia. A expectativa é que até R$ 750 milhões sejam convertidos em atendimentos ainda em 2025, podendo chegar a R$ 1,3 bilhão por ano.
O que muda para o paciente
O acesso seguirá o fluxo tradicional do SUS: o paciente é avaliado na Unidade Básica de Saúde, tem o pedido inserido na central de regulação e, se indicado, poderá ser encaminhado para uma unidade privada conveniada. Não será possível escolher diretamente o hospital. A comunicação do agendamento será feita inclusive por WhatsApp.
Fiscalização e garantia de atendimento
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) garante que as operadoras continuarão sendo fiscalizadas e poderão ser multadas caso deixem de atender seus próprios clientes ou descumpram obrigações com o SUS. O pagamento às empresas só ocorrerá após a entrega completa do pacote de serviços, incluindo consultas, exames e cirurgias, garantindo que o atendimento ao paciente seja integral.
Fonte: G1 – Globo