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Tecnologia

Por que Elon Musk pediu a seus seguidores para cancelarem a Netflix

O bilionário voltou a polemizar ao acusar a plataforma de streaming de promover uma “agenda woke” e conteúdos pró-trans para crianças. A reação viralizou, acendeu debates sobre diversidade nos meios digitais e expôs como celebridades influenciam disputas culturais nos Estados Unidos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A relação entre Elon Musk e o entretenimento digital ganhou mais um capítulo turbulento. O dono da Tesla e da rede social X anunciou ter cancelado sua assinatura da Netflix e incentivou seus seguidores a fazerem o mesmo. O gesto, aparentemente simples, se transformou em trending topic mundial, reacendendo discussões sobre representação de gênero, política e a influência das grandes plataformas de streaming.

Como começou a polêmica

O ultimato que poderia ter mudado tudo: o bilionário embate entre Musk e Apple nos bastidores da internet via satélite
© Chip Somodevilla/Getty Images

O estopim foi um post no X de Matt Van Swol, ex-cientista do Departamento de Energia dos EUA, que compartilhou a captura de tela de sua própria saída da Netflix, acusando a empresa de empregar pessoas que “celebravam a morte de conservadores” e de exibir programas com mensagens pró-trans para crianças.

Musk respondeu com um lacônico “O mesmo”, confirmando que também havia cancelado sua assinatura. Em pouco tempo, a mensagem acumulou mais de 11 milhões de visualizações e desencadeou uma onda de publicações de usuários mostrando o processo de cancelamento.

As séries no alvo de Musk

Entre os conteúdos citados por Musk e seus apoiadores está a série animada Dead End: Paranormal Park, criada pelo britânico Hamish Steele. Reconhecida por representar personagens LGBT e premiada internacionalmente, a produção trazia um protagonista trans e foi cancelada pela Netflix em 2023.

Musk classificou a série como “inaceitável” e estendeu críticas a outras produções, como The Baby-Sitters Club, encerrada em 2022, e um episódio de CoComelon Lane, em que uma criança veste um tutú e uma tiara. Para ele, tais representações seriam “inapropriadas” em programas infantis.

A reação em rede

Enquanto conservadores apoiaram o gesto, compartilhando capturas de tela de cancelamentos, críticos apontaram a ausência de provas para algumas acusações. Entre elas, a suposta comemoração da morte do ativista conservador Charlie Kirk atribuída a Hamish Steele — alegação sem respaldo em suas redes sociais.

A viralização reforçou um padrão: Musk não apenas comenta, mas molda debates culturais ao usar sua base de seguidores para pressionar empresas de mídia e tecnologia.

O pano de fundo político

O embate sobre Netflix não pode ser separado do clima político nos EUA. A chamada “agenda woke” virou alvo de figuras conservadoras, incluindo membros do Partido Republicano. A administração Trump já havia banido programas de diversidade, equidade e inclusão (DEI) e restringido cuidados de saúde de afirmação de gênero para menores.

A congressista Marjorie Taylor Greene e outros republicanos também exigiram que empresas eliminem políticas de inclusão. A pressão atinge até gigantes como a Disney, que em 2023 retirou de circulação um episódio de Moon Girl and Devil Dinosaur por incluir um personagem trans.

Embora a Comissão Federal de Comunicações (FCC) não tenha autoridade direta sobre o streaming, o discurso conservador cria um ambiente de intimidação. Nesse contexto, Musk se torna uma voz amplificadora com peso real sobre decisões corporativas.

Musk, Netflix e o “vírus woke”

Essa não é a primeira vez que Musk se volta contra a Netflix. Em 2022, ele já havia afirmado que a empresa sofria de um “vírus woke”, o que, segundo ele, tornava o conteúdo “insuportável”. Na época, a plataforma passava por queda de assinantes, acirrando o debate sobre diversidade e sua relação com negócios.

Além disso, Musk tem interesses diretos no setor: em 2023 lançou a Xverse, uma plataforma de streaming integrada ao ecossistema da rede X. Ainda em desenvolvimento, o projeto pode competir com players tradicionais — o que torna sua retórica contra a Netflix também estratégica.

Questões pessoais e impacto coletivo

A postura do bilionário também ganha contornos pessoais. Musk é pai de Vivian Jenna Wilson, que se identificou como mulher trans em 2020 e alterou legalmente seu nome e gênero em 2022. O relacionamento entre ambos é marcado pelo distanciamento, tema já explorado pela própria filha.

Esse pano de fundo ajuda a entender o tom da crítica de Musk, que mistura convicções pessoais, divergências familiares e disputas políticas.

O poder da influência

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© https://x.com/kadirmidedinsen

Mais do que um ataque à Netflix, o episódio mostra a capacidade de Musk de mobilizar massas digitais. Ao pedir o cancelamento, ele transformou uma decisão individual em campanha coletiva, capaz de afetar a imagem de uma das maiores plataformas de streaming do mundo.

Se esse movimento terá impacto econômico real ainda é incerto. Mas uma coisa ficou clara: o debate sobre diversidade nos meios digitais está longe de ser apenas sobre séries infantis — é também uma arena de disputas políticas, sociais e pessoais onde vozes como a de Musk ressoam em escala global.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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