Você já teve a sensação de que os dias estão passando mais rápido? A ciência acaba de confirmar que essa impressão tem fundamento. A rotação da Terra está acelerando ligeiramente em 2025, encurtando a duração dos dias em milissegundos. Embora pareça pouco, essa mudança tem implicações reais para a medição do tempo e pode estar ligada a fatores ainda não totalmente compreendidos pelos cientistas.
A rotação do planeta está acelerando

Desde 2020, os cientistas vêm observando um fenômeno inusitado: a Terra, que historicamente desacelera sua rotação, passou a girar mais rápido durante certos períodos do ano. Em 2025, esse padrão se repete pela quinta vez consecutiva entre os meses de julho e agosto.
De acordo com estimativas do Serviço Internacional de Sistemas de Referência e Rotação da Terra (IERS) e do Observatório Naval dos Estados Unidos, três dias deste ano devem apresentar duração inferior à média de 86.400 segundos. O primeiro será em 9 de julho, com uma redução de 1,30 milissegundo. Em 22 de julho, o dia pode ser 1,38 milissegundo mais curto, e em 5 de agosto, a previsão é de 1,5 milissegundo a menos — o menor dia do ano.
Esses valores, embora pequenos, são monitorados com extrema precisão por relógios atômicos. Caso haja desvios maiores entre o tempo astronômico e o tempo civil, segundos intercalares podem ser adicionados — algo que não ocorre desde 2016.
A influência da Lua e outros fatores
Ao longo da história, a rotação da Terra variou significativamente. Em épocas remotas, um ano podia ter de 372 a 490 dias, indicando que a duração do dia também oscilava. Atualmente, a principal influência sobre essa rotação é a interação com a Lua. À medida que o satélite natural se afasta do planeta, a Terra tende a girar mais lentamente para manter o equilíbrio angular.
Outros fatores também contribuem: movimentações internas, mudanças no nível do mar, atividades sísmicas e até variações atmosféricas. A desaceleração natural é de cerca de 1,8 milissegundo por século, mas o recente aumento na velocidade da rotação foge dessa lógica.
A origem dessa aceleração ainda não é totalmente compreendida. Em entrevista à revista Discover, o físico Judah Levine, do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA, revelou que essa tendência foi uma surpresa. Ele afirmou que, até então, acreditava-se que o planeta continuaria a girar cada vez mais devagar, tornando necessários ajustes frequentes com segundos intercalares.
Mistérios no interior da Terra?
A possibilidade de que a explicação para essa mudança esteja no interior da Terra também é considerada. Leonid Zotov, da Universidade Estatal de Moscou, apontou que modelos oceânicos e atmosféricos não justificam o fenômeno atual. Para ele, “a maioria dos cientistas acredita que seja algo interno ao planeta”.
Enquanto isso, eventos extremos como terremotos continuam sendo analisados por seu impacto direto na rotação terrestre. O terremoto de 2011 no Japão, com magnitude 9,0, deslocou o eixo da Terra em 17 centímetros, encurtando os dias em 1,8 microssegundo. Já o tremor de 2004 na Indonésia reduziu a duração diária em 2,68 microssegundos.
Segundo Richard Gross, do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, esse tipo de mudança ocorre porque a massa terrestre é redistribuída — como uma patinadora no gelo que acelera o giro ao aproximar os braços do corpo.
Por que isso importa mais do que parece
Mesmo que variações de milissegundos não interfiram no cotidiano imediato, elas são fundamentais para manter em funcionamento sistemas sensíveis, como satélites, GPS, redes de comunicação e sistemas bancários. Qualquer descompasso no tempo pode causar falhas em sistemas altamente sincronizados.
O IERS continuará monitorando as variações de rotação e deve confirmar nos próximos meses se os dias entre julho e agosto foram realmente os mais curtos do ano. Enquanto isso, os cientistas seguem em busca de respostas para um fenômeno que desafia décadas de previsões — e que pode revelar aspectos ainda desconhecidos sobre o funcionamento do nosso planeta.
[Fonte: Olhar digital]