Por anos, a liderança da gigante do streaming musical parecia inabalável. Mas, nos últimos meses, mudanças na plataforma, decisões polêmicas e reclamações recorrentes começaram a desgastar a relação com seus usuários. Enquanto alguns permanecem fiéis, um número crescente de assinantes opta por migrar para concorrentes que prometem mais qualidade, preços justos e respeito aos artistas.
Aumento de preços e quebra de confiança
Os reajustes recentes nas assinaturas foram o estopim para muitos. Todos os planos premium subiram, mas o golpe mais duro atingiu o plano familiar, que ultrapassou a barreira psicológica dos 25 dólares por mês.
E não para por aí: relatos indicam que em setembro de 2025 haverá novos aumentos em diversas regiões, incluindo a Europa. Embora a empresa justifique como um investimento para “oferecer a melhor experiência possível”, para parte dos usuários, o momento não poderia ser pior, já que o descontentamento vinha crescendo.
Experiência de uso em queda
Além do preço, a usabilidade do aplicativo vem sendo alvo de críticas. A interface, antes elogiada pela simplicidade, agora é considerada confusa e sobrecarregada. Entre os pontos negativos, destacam-se a insistente promoção de podcasts não solicitados, recomendações algorítmicas menos assertivas e o excesso de conteúdo gerado por inteligência artificial.
Recursos prometidos há anos, como áudio Lossless e suporte a Dolby Atmos — já oferecidos por rivais — seguem ausentes, deixando a plataforma atrás em uma corrida tecnológica importante para os fãs de música.

Questões éticas e relação com artistas
Paralelamente, cresce o debate sobre a remuneração dos artistas. Músicos independentes vêm retirando suas canções, denunciando pagamentos irrisórios por reprodução. Também pesam críticas sobre investimentos do CEO em projetos ligados, ainda que indiretamente, a tecnologias militares.
Um caso relatado pelo site Les Numériques ilustra a frustração: após 12 anos de assinatura familiar e mais de 4.000 músicas salvas, um usuário decidiu mudar para outro serviço devido a preços abusivos, falta de áudio de alta qualidade, funções supérfluas e a baixa compensação a músicos.
Um futuro em jogo
A empresa afirma que os reajustes ajudam a melhorar o pagamento aos artistas, especialmente após a criação de uma “taxa de streaming” em alguns países europeus. No entanto, dados indicam que outros serviços pagam mais por menos reproduções.
Se a percepção de preços excessivos, qualidade aquém do esperado e práticas questionáveis persistir, o êxodo pode deixar de ser pontual para se tornar um movimento em massa. A grande dúvida agora é quando — e com que intensidade — isso vai acontecer.