Um prêmio novo, um gesto calculado
O “Prêmio da Paz da Fifa — O Futebol une o mundo” surgiu neste ano e, segundo a entidade, celebra figuras que tomaram “medidas excepcionais pela paz”. Gianni Infantino entregou pessoalmente o troféu e a medalha a Donald Trump, elogiando o presidente norte-americano por “tornar o mundo mais próspero”.
Trump não economizou nas palavras. Disse ter “salvado milhões e milhões de pessoas” ao encerrar conflitos recentes — embora a Fifa não tenha detalhado que ações motivaram a escolha. Aqui surge o alerta: sem critérios claros, o prêmio vira mais uma movimentação política do que uma celebração objetiva de paz.
Aproximação crescente e dúvidas sobre a escolha

A relação entre Trump e Infantino ficou mais próxima nos últimos meses, impulsionada pela tentativa do presidente de emplacar uma “autocampanha” rumo ao Nobel da Paz de 2025. O novo prêmio da Fifa aparece nesse mesmo contexto, levantando questionamentos sobre intenção, timing e impacto.
Inicialmente, a Fifa havia indicado que o prêmio teria concorrentes. No entanto, nenhum nome foi divulgado, e o troféu acabou nas mãos de Trump sem processo transparente — um detalhe que alimenta a controvérsia e reforça o debate sobre o papel político do futebol global.
Um gesto simbólico ou uma mudança no futebol?
A Fifa sempre vendeu a ideia de que o futebol une povos. Mas, ao premiar um líder tão polarizador, a organização abre espaço para interpretações que vão além do esporte. Resta saber se o “Prêmio da Paz” terá continuidade, critérios mais claros ou se ficará marcado como símbolo de um momento político particular.
Nos próximos dias, a repercussão deve crescer — e o debate sobre futebol, poder e diplomacia promete render discussões intensas dentro e fora dos estádios.
[Fonte: Correio Braziliense]