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Ciência

Quando a azia esconde algo mais sério: o alerta por trás do refluxo

Após 40 anos lidando com refluxo e azia, um aposentado recebeu um diagnóstico inesperado. O caso revela os riscos de ignorar sintomas persistentes e como o refluxo pode evoluir para algo mais grave. Entenda os sinais, as causas e por que a atenção médica precoce pode fazer toda a diferença.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Ignorar sintomas corriqueiros como azia ou queimação no peito pode parecer inofensivo, mas, em alguns casos, esconde problemas sérios. Foi o que viveu Georges Michel Sobrinho, de 82 anos, que por quase metade da vida conviveu com refluxo e só descobriu tarde demais o que realmente o afetava. O caso acende um alerta importante: o refluxo nem sempre é apenas um desconforto digestivo.

Refluxo: o que é e por que merece atenção

Quando a azia esconde algo mais sério: o alerta por trás do refluxo
© Pexels

O refluxo gastroesofágico ocorre quando o conteúdo do estômago retorna ao esôfago de forma involuntária. Esse processo se repete quando há falha no esfíncter esofágico inferior, uma espécie de válvula natural que deveria impedir esse retorno.

Sintomas como azia, dor no estômago, náusea e regurgitação são comuns e, muitas vezes, tratados apenas com medicamentos. Porém, fatores como sobrepeso, alimentação desequilibrada, bebidas alcoólicas, tabagismo e o hábito de se deitar logo após as refeições agravam o quadro.

Mudanças no estilo de vida e tratamentos contínuos com medicamentos podem aliviar os sintomas. Mas, como no caso de Georges, nem sempre são suficientes.

Um sintoma ignorado que virou algo mais grave

Georges conviveu com a acidez estomacal por mais de 40 anos, tratando o problema com remédios sem sucesso definitivo. Em 2024, começou a sentir dificuldade para engolir alimentos, o que o levou a buscar mais respostas.

Foi em uma consulta de rotina com um cardiologista que o sinal de alerta surgiu: as fezes escuras, sinal possível de sangramento interno. Exames mais aprofundados revelaram um tumor de 5 cm no esôfago, confirmado por PET scan.

O diagnóstico mudou tudo. Georges iniciou sessões de quimio e radioterapia, mas o tumor resistiu. Aos 81 anos, muitos médicos recusaram a cirurgia devido à idade. Determinado, viajou a São Paulo, onde foi operado com técnica robótica — minimamente invasiva e altamente precisa.

A cirurgia e a vida após o tratamento

O procedimento durou oito horas e removeu parte do esôfago. Mesmo com a ausência do esfíncter esofágico inferior, Georges afirma que vive bem: “Hoje como de tudo. Até pimenta”, celebra. Sem dor, sem complicações e com alta em apenas 12 dias, a cirurgia robótica representou um renascimento.

Segundo o cirurgião Flávio Takeda, que o operou, o uso da robótica aumenta a precisão do procedimento e é especialmente eficaz em casos de cânceres gastrointestinais avançados.

Quando o refluxo não é tão inofensivo assim

De acordo com Takeda, cerca de 20% dos casos de câncer de esôfago estão ligados ao refluxo crônico. Um dos fatores mais preocupantes é o esôfago de Barrett, condição em que as células do esôfago começam a se modificar pela exposição constante ao ácido gástrico.

Essa mudança celular é um passo perigoso para o desenvolvimento do câncer. E o problema é que, por ser um processo silencioso e gradual, muitos pacientes só descobrem a doença em estágio avançado — como aconteceu com Georges.

A história reforça a importância de não ignorar sintomas persistentes e buscar acompanhamento médico adequado. Afinal, o que parece apenas uma azia pode ser o início de algo muito mais sério.

[Fonte: Metrópoles]

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