O Irã pode estar prestes a iniciar uma nova fase política após a morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país por mais de três décadas. A sucessão, definida pela Assembleia de Peritos — órgão religioso responsável por escolher o líder máximo da República Islâmica — já mobiliza diferentes correntes do poder iraniano. Entre os nomes considerados favoritos está Mojtaba Khamenei, filho do antigo líder e figura influente nos bastidores do regime.
Quem é Mojtaba Khamenei
Mojtaba Khamenei, filho de Kamenei, foi nomeado o novo Líder do Irã.
De pai para filho. Mojtaba já era poder oculto, controlando nomeações importantes, supervisionando operações de inteligência e gerenciando o círculo íntimo de seu pai.
Mundo afora a dita é mesmo dura. pic.twitter.com/8rPMWAOhxp— Marcoantonio080943 (@Marcoan28028309) March 2, 2026
Mojtaba Khamenei tem 56 anos e é o segundo filho de Ali Khamenei. Apesar de não ocupar cargos formais de grande destaque dentro do governo iraniano, ele é considerado uma figura influente nos círculos políticos e religiosos do país.
Clérigo de posição intermediária dentro da hierarquia xiita, Mojtaba construiu sua reputação principalmente nos bastidores do poder. Ao longo dos anos, analistas e autoridades apontaram sua proximidade com setores-chave do regime, especialmente com a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), considerada a força militar mais poderosa do Irã.
Ele também mantém relações com a Basij, organização paramilitar ligada à Guarda Revolucionária e frequentemente mobilizada para defender o regime e reprimir protestos internos.
Apoio da Guarda Revolucionária
Segundo fontes citadas pela agência Reuters, setores da Guarda Revolucionária teriam pressionado para que Mojtaba fosse considerado como sucessor de seu pai. A avaliação desses grupos é que ele possui experiência política e proximidade com os centros de poder necessários para conduzir o país em um momento de forte tensão internacional.
Nos últimos anos, Mojtaba teria ampliado sua influência dentro do sistema político iraniano, especialmente durante períodos de fragilidade política ou protestos internos.
Essa rede de alianças com instituições de segurança é vista por alguns analistas como um fator decisivo na disputa pela sucessão.
Os obstáculos para assumir o cargo
Apesar do apoio de setores importantes do regime, a eventual nomeação de Mojtaba enfrenta resistências dentro da estrutura religiosa do Irã.
O principal obstáculo está em sua posição dentro da hierarquia clerical. Tradicionalmente, o líder supremo do Irã precisa ser um aiatolá de alto escalão ou um clérigo com autoridade religiosa reconhecida, algo que Mojtaba ainda não possui.
Além disso, a possibilidade de uma sucessão de pai para filho é vista com desconfiança por parte do clero xiita. A República Islâmica nasceu justamente da derrubada de uma monarquia — o regime do xá Mohammad Reza Pahlavi — e muitos religiosos consideram que uma transferência hereditária de poder poderia contradizer os princípios revolucionários do sistema.
Outro fator que pesa contra Mojtaba é o fato de ele ter sido alvo de sanções impostas pelos Estados Unidos em 2019.
Escalada de tensão no Oriente Médio

A discussão sobre a sucessão ocorre em meio a uma grave escalada de tensões na região. Estados Unidos e Israel iniciaram uma série de ataques contra o Irã no final de semana, em um contexto de crescente preocupação internacional com o programa nuclear iraniano.
Em resposta, o regime iraniano iniciou ações retaliatórias contra países do Oriente Médio que abrigam bases militares americanas, incluindo Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
A mídia estatal iraniana informou posteriormente que Ali Khamenei estava entre as vítimas dos ataques conduzidos por forças americanas e israelenses.
Após o anúncio de sua morte, autoridades iranianas ameaçaram lançar uma ofensiva de grande escala. O presidente do país, Masoud Pezeshkian, afirmou que o Irã considera retaliar Israel e os Estados Unidos um “direito e dever legítimo”.
Reações internacionais
A tensão aumentou ainda mais após declarações do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Ele advertiu o Irã contra qualquer ataque retaliatório, afirmando que uma resposta militar americana seria devastadora.
Segundo Trump, os ataques contra o Irã poderão continuar “pelo tempo que for necessário” para alcançar o que ele descreveu como um objetivo de paz no Oriente Médio.
Enquanto as trocas de ameaças continuam, o processo de escolha do próximo líder supremo ganha peso estratégico. A decisão da Assembleia de Peritos poderá definir não apenas o futuro político do Irã, mas também o rumo das tensões no Oriente Médio nos próximos anos.
[ Fonte: CNN Brasil ]