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Tecnologia

Ray Dalio identifica dois fatores que podem provocar uma crise no mercado de IA

Ray Dalio, um dos investidores mais influentes do mundo, identifica sinais preocupantes no mercado de inteligência artificial e alerta para uma possível crise financeira de grandes proporções.
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Tempo de leitura: 5 minutos

A inteligência artificial movimenta centenas de bilhões de dólares, impulsiona gigantes da tecnologia e alimenta expectativas de uma transformação econômica sem precedentes. Entretanto, por trás do entusiasmo de Wall Street, um dos investidores mais conhecidos do planeta enxerga sinais de perigo. Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, acredita que o setor está se aproximando de um momento crítico. E o problema não está necessariamente na tecnologia, mas na maneira como sua expansão está sendo financiada.

Ray Dalio identifica sinais de uma bolha prestes a estourar

Durante a Forbes Global CEO Conference, realizada em Singapura na quarta-feira, 7 de outubro, Ray Dalio fez um alerta sobre o mercado de inteligência artificial.

O bilionário classificou o atual entusiasmo financeiro em torno da tecnologia como uma bolha clássica, sustentada por investimentos gigantescos e pelo crescimento acelerado do endividamento.

Segundo Dalio, o setor está se aproximando de uma fase em que a combinação de dívidas elevadas e juros crescentes pode provocar uma correção significativa nos preços dos ativos.

O fundador da Bridgewater, uma das gestoras de investimentos mais conhecidas do mundo, afirmou que o mercado ainda não chegou necessariamente ao momento do colapso, mas estaria cada vez mais próximo dele.

A avaliação chama a atenção porque ocorre justamente quando empresas de tecnologia continuam anunciando investimentos bilionários em chips, centros de dados e sistemas avançados de inteligência artificial.

Microsoft, Google, Amazon e Meta estão entre as companhias que destinam grandes quantias à expansão de sua infraestrutura tecnológica.

A questão levantada por Dalio é se os retornos financeiros desses investimentos serão suficientes para justificar os valores envolvidos.

O endividamento pode se tornar o maior problema da inteligência artificial

Ray Dalio identifica dois fatores que podem provocar uma crise no mercado de IA
© Taylor Vick – Unsplash

O crescimento da inteligência artificial exige uma infraestrutura extremamente cara.

Treinar e executar modelos avançados depende de milhares de processadores especializados, instalações de grande capacidade, sistemas de refrigeração e fornecimento contínuo de eletricidade.

Para acompanhar essa demanda, empresas estão comprometendo volumes extraordinários de capital.

Parte desses investimentos é financiada por dívidas, o que aumenta a exposição das companhias às condições do mercado de crédito.

Quando os juros sobem, o custo de novos empréstimos aumenta. Empresas que precisam refinanciar obrigações também podem enfrentar despesas maiores.

Esse cenário se torna especialmente delicado quando os investimentos são realizados com base em expectativas de receitas futuras que ainda não se concretizaram.

Segundo uma reportagem da Bloomberg, Dalio considera que a combinação de financiamento crescente e juros elevados representa um dos principais riscos para o setor.

A preocupação não significa que todas as empresas estejam igualmente endividadas. Algumas das maiores companhias de tecnologia possuem receitas expressivas e reservas financeiras capazes de sustentar investimentos prolongados.

Entretanto, negócios menores e projetos altamente dependentes de financiamento externo podem enfrentar condições mais difíceis.

Por que Wall Street continua apostando na tecnologia?

Apesar das advertências, o entusiasmo dos investidores permanece elevado.

Nesta semana, os índices americanos S&P 500 e Nasdaq 100 alcançaram máximas históricas, impulsionados pelas expectativas de crescimento das empresas de tecnologia.

A concentração dos ganhos em um grupo relativamente pequeno de companhias também desperta preocupações.

Quando poucas ações representam uma parcela significativa da valorização do mercado, uma mudança nas expectativas sobre essas empresas pode afetar índices inteiros.

Um levantamento divulgado pela Reuters em outubro aponta que cinco grandes empresas responsáveis por infraestrutura digital devem investir mais de US$ 800 bilhões em 2026, segundo estimativas do Goldman Sachs.

Para 2027, a projeção supera US$ 1,1 trilhão.

Esses valores mostram a dimensão da aposta econômica na inteligência artificial, mas também ajudam a explicar por que investidores acompanham atentamente os resultados financeiros dessas companhias.

Se a demanda por serviços de IA crescer mais lentamente do que o esperado, alguns projetos poderão demorar mais para gerar retornos.

Isso não significa necessariamente um colapso generalizado, mas pode provocar revisões importantes nas avaliações das empresas.

Existe outro fator que pode acelerar uma crise

Ray Dalio identifica dois fatores que podem provocar uma crise no mercado de IA
© Getty Images

Além dos juros, Dalio destacou um mecanismo menos evidente que poderia pressionar o mercado: a necessidade de transformar patrimônio em dinheiro.

Grande parte da fortuna dos bilionários está concentrada em ações e participações empresariais.

Esses ativos podem alcançar valores extraordinários, mas representam riqueza cujo preço depende das condições do mercado.

Para transformar uma parcela significativa desse patrimônio em dinheiro, seus proprietários precisam vender ativos ou recorrer a financiamentos.

Se muitos investidores tentarem vender simultaneamente, a pressão sobre os preços poderá aumentar.

Dalio também mencionou a possibilidade de impostos sobre grandes fortunas e outras medidas que incentivem a realização de ganhos acumulados.

Nesse cenário, vendas motivadas por obrigações fiscais ou necessidades financeiras poderiam contribuir para uma correção.

O investidor não apresentou uma data específica para o eventual estouro da bolha. Sua análise descreve riscos e possíveis mecanismos de crise, não uma previsão comprovada de que o mercado entrará em colapso.

A inteligência artificial pode transformar o mundo mesmo depois de uma bolha

Um dos aspectos mais importantes do alerta é que Dalio não considera a inteligência artificial uma tecnologia sem valor.

Pelo contrário, ele reconhece seu potencial para provocar grandes avanços de produtividade e transformar diferentes setores econômicos.

O problema, em sua avaliação, surge quando investidores passam a pagar valores excessivos por empresas ou projetos na expectativa de resultados extraordinários.

A história oferece um exemplo conhecido.

Durante a bolha das empresas de internet, no final dos anos 1990, companhias relacionadas à economia digital receberam investimentos gigantescos.

Quando as expectativas se mostraram exageradas, muitas empresas desapareceram e os mercados sofreram perdas expressivas.

Entretanto, a internet continuou evoluindo e se tornou uma das principais infraestruturas da economia mundial.

Dalio considera possível que a inteligência artificial siga uma trajetória semelhante: uma transformação tecnológica real acompanhada de excessos financeiros.

Em setembro, o investidor já havia defendido essa interpretação em declarações repercutidas pela revista Fortune.

A comparação, porém, não garante que os acontecimentos se repetirão. As condições financeiras e os modelos de negócios atuais apresentam diferenças importantes em relação aos da década de 1990.

O que uma eventual crise significaria para o Brasil?

Ray Dalio identifica dois fatores que podem provocar uma crise no mercado de IA
© Pexels

Uma correção expressiva nas ações de empresas ligadas à inteligência artificial poderia produzir consequências além dos Estados Unidos.

O mercado brasileiro mantém conexões com o sistema financeiro internacional por meio de investimentos, fundos, câmbio e operações de empresas multinacionais.

Uma mudança brusca na disposição dos investidores para assumir riscos poderia provocar volatilidade nos mercados emergentes.

Empresas brasileiras que dependem de capital estrangeiro ou de serviços tecnológicos internacionais também poderiam enfrentar mudanças nas condições de financiamento e investimento.

Entretanto, os efeitos dependeriam da intensidade e da abrangência de uma eventual crise.

O alerta de Ray Dalio evidencia uma distinção fundamental: o futuro tecnológico da inteligência artificial e o preço que investidores estão dispostos a pagar por ele são questões diferentes.

A tecnologia pode continuar avançando mesmo que determinadas empresas sofram perdas financeiras.

A grande dúvida é se o crescimento econômico proporcionado pela inteligência artificial conseguirá acompanhar a velocidade dos investimentos realizados para desenvolvê-la.

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