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Tecnologia

Sam Altman diz que a IA pode gerar tanta riqueza que será preciso trabalhar menos — e distribuir parte dos ganhos para toda a população

A OpenAI acredita que a chegada da superinteligência artificial exigirá mudanças profundas na economia e no mercado de trabalho. Entre as propostas defendidas pela empresa estão uma semana de trabalho mais curta, novos impostos sobre automação e um fundo público que distribuiria parte da riqueza gerada pela IA diretamente aos cidadãos.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A inteligência artificial já está transformando profissões, empresas e governos. Mas para Sam Altman, o impacto mais profundo ainda está por vir. Em um novo documento de política pública, a OpenAI argumenta que a futura geração de sistemas superinteligentes poderá alterar a economia em uma escala comparável às grandes transformações sociais do século XX. Diante desse cenário, a empresa defende uma espécie de novo contrato social para garantir que os benefícios da IA sejam compartilhados por toda a sociedade.

A OpenAI acredita que a superinteligência está se aproximando

Openai
© Jakub Porzycki/NurPhoto via Getty Images

O relatório, intitulado Industrial Policy for the Intelligence Age: Ideas for Putting People First, parte de uma premissa ambiciosa.

Segundo a empresa, os avanços atuais podem levar ao desenvolvimento de sistemas capazes de superar os humanos mais inteligentes em praticamente todas as tarefas cognitivas.

A OpenAI define essa etapa como superinteligência artificial, um cenário em que a produtividade econômica aumentaria drasticamente graças à automação de atividades hoje realizadas por trabalhadores qualificados.

Para Altman, essa transformação será tão profunda que os mecanismos tradicionais do capitalismo podem não ser suficientes para distribuir os ganhos gerados pela tecnologia.

Um fundo público para repartir a riqueza da IA

Entre as propostas mais chamativas está a criação de um Fundo Público de Riqueza.

A ideia é que parte dos ganhos produzidos pela economia impulsionada pela inteligência artificial seja direcionada para um fundo capaz de distribuir dividendos diretamente à população.

O objetivo seria permitir que todos participassem dos benefícios econômicos da revolução tecnológica, inclusive pessoas sem investimentos financeiros ou patrimônio significativo.

Na prática, trata-se de um modelo inspirado em mecanismos já utilizados por alguns países para distribuir receitas provenientes de recursos naturais, mas aplicado ao valor gerado pela inteligência artificial.

Menos horas de trabalho, mesmo salário

Outra proposta apresentada pela OpenAI envolve a redução da jornada de trabalho.

O documento menciona a possibilidade de uma semana de 32 horas, distribuída em quatro dias, sem redução salarial.

Segundo a empresa, o aumento de produtividade proporcionado pela IA poderia compensar a diminuição das horas trabalhadas, permitindo que trabalhadores mantivessem sua renda enquanto desfrutassem de mais tempo livre.

A ideia lembra debates históricos sobre a redução da jornada que ocorreram durante a industrialização e que levaram à consolidação da semana de cinco dias em grande parte do mundo.

Novos impostos para uma economia automatizada

A OpenAI também sugere mudanças tributárias para lidar com uma possível redução da participação humana em determinadas atividades econômicas.

O relatório menciona impostos relacionados ao trabalho automatizado e uma migração gradual da base tributária dos salários para ganhos de capital e lucros corporativos.

A preocupação é que uma automação em larga escala reduza receitas que hoje financiam programas sociais, aposentadorias e sistemas públicos de assistência.

Além disso, a empresa propõe mecanismos automáticos de proteção social. Caso determinados indicadores de desemprego tecnológico ultrapassem níveis pré-estabelecidos, benefícios ampliados, seguros salariais ou pagamentos diretos poderiam ser acionados sem necessidade de novas votações legislativas.

IA como direito universal

Openai Chat Gpt
© Anadolu/Getty Images

Talvez a proposta mais ambiciosa seja tratar o acesso à inteligência artificial como um direito básico.

O documento compara a expansão da IA aos grandes esforços históricos que levaram eletricidade, educação e internet para milhões de pessoas.

Segundo a OpenAI, garantir acesso amplo às ferramentas de IA poderia evitar que apenas uma parcela da população se beneficie da nova tecnologia.

As críticas e os conflitos de interesse

Apesar da recepção positiva de algumas propostas, o documento também gerou questionamentos.

Críticos apontam que a OpenAI é uma das empresas que mais podem se beneficiar financeiramente da expansão da inteligência artificial e, portanto, possui interesses diretos na forma como o setor será regulado.

Analistas observam que a companhia tem defendido regras rígidas principalmente para os modelos mais avançados, algo que poderia favorecer empresas com recursos gigantescos para cumprir exigências regulatórias, dificultando a concorrência de organizações menores.

Pesquisadores também lembram que a OpenAI já se posicionou contra determinadas iniciativas regulatórias nos Estados Unidos e na Europa, especialmente aquelas que ampliariam a supervisão sobre sistemas considerados de alto risco.

Uma disputa pelo futuro da IA

A publicação ocorre em um momento de intensa discussão global sobre como regular a inteligência artificial.

Enquanto a União Europeia implementa sua Lei de IA, diversos estados americanos debatem suas próprias regras para o setor. Ao mesmo tempo, empresas disputam influência política sobre quais limites devem ser impostos à tecnologia.

Nesse contexto, o documento da OpenAI funciona tanto como uma proposta econômica quanto como uma tentativa de moldar o debate público.

Se as previsões da empresa estiverem corretas, a discussão não será apenas sobre tecnologia. Será sobre como redistribuir riqueza, reorganizar o trabalho e definir quem se beneficia de uma das transformações econômicas mais profundas da história moderna.

 

[ Fonte: Bussines Insider ]

 

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