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Tecnologia

A revolução digital avança a toda velocidade, mas milhões de mulheres continuam ficando de fora

A tecnologia promete transformar o emprego e a economia, mas uma desigualdade persistente ameaça deixar milhões de mulheres para trás justamente quando as habilidades digitais se tornam mais importantes.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Inteligência artificial, programação, análise de dados e automação estão redefinindo o mercado de trabalho em uma velocidade inédita. No entanto, nem todos partem do mesmo lugar. Enquanto as competências digitais se tornam indispensáveis para acessar empregos mais bem remunerados, milhões de mulheres ainda enfrentam obstáculos que começam com algo tão básico quanto se conectar à internet e terminam afetando suas possibilidades profissionais e econômicas.

A desigualdade começa muito antes da busca por um emprego em tecnologia

A revolução digital avança a toda velocidade, mas milhões de mulheres continuam ficando de fora
© LinkedIn Sales Solutions – Unsplash

A transformação digital está criando novas oportunidades profissionais, mas também pode aprofundar desigualdades existentes. Para muitas mulheres, o problema não começa na hora de disputar uma vaga relacionada à inteligência artificial ou ao desenvolvimento de software, mas muito antes.

O acesso desigual à internet continua sendo uma das principais barreiras, especialmente em regiões rurais, comunidades vulneráveis e áreas onde a infraestrutura de telecomunicações ainda é insuficiente.

Mas ter conexão também não resolve tudo.

A desigualdade digital envolve as possibilidades reais de aprender a utilizar ferramentas tecnológicas, adquirir competências especializadas e ter acesso a uma educação que permita transformar essas capacidades em oportunidades profissionais.

Quando essas condições não existem, as consequências se acumulam. Uma menor alfabetização digital pode reduzir as possibilidades de estudar, encontrar emprego, empreender, acessar serviços e participar de ecossistemas econômicos que dependem cada vez mais da internet.

Por isso, melhorar a conectividade é apenas uma parte do desafio. Também é necessário desenvolver habilidades desde cedo e criar espaços onde meninas e adolescentes possam experimentar a tecnologia sem enxergar determinadas profissões como territórios que não lhes pertencem.

As meninas que hoje aprendem tecnologia podem definir a economia do futuro

Martha Ardila, diretora regional da Red Hat, defende que é fundamental criar espaços consolidados para aproximar meninas e adolescentes do universo digital desde cedo.

A empresa de software de código aberto colabora com instituições de ensino e organizações que buscam ampliar essa participação por meio de ferramentas, capacitações e programas destinados ao desenvolvimento de competências tecnológicas.

O objetivo tem uma dimensão que vai além da igualdade de acesso.

Setores como inteligência artificial, ciência de dados, cibersegurança, programação e engenharia terão um peso crescente nas economias dos próximos anos. Se as mulheres continuarem sub-representadas, não apenas perderão oportunidades profissionais: as próprias indústrias de tecnologia estarão desperdiçando uma enorme quantidade de talentos.

Diferentes iniciativas governamentais também tentam reduzir essa distância. Na Colômbia, por exemplo, programas relacionados ao Ministério das Tecnologias da Informação e das Comunicações buscam ampliar o acesso a ferramentas digitais e fortalecer conhecimentos capazes de favorecer a independência econômica e melhorar as oportunidades profissionais.

A discussão, no entanto, também chegou ao campo político, onde se debate a necessidade de proteger adequadamente os direitos das mulheres no ambiente digital e evitar regulamentações incapazes de responder aos riscos que elas enfrentam.

E os números ajudam a entender por que existe preocupação.

Os números mostram uma desigualdade que também custa bilhões

Segundo dados citados da ONU Mulheres, quatro em cada dez mulheres na América Latina e no Caribe não estão conectadas à internet.

A revolução digital avança a toda velocidade, mas milhões de mulheres continuam ficando de fora
© Rafael Rodrigues – Pexels

A diferença também aparece no acesso a dispositivos. Enquanto 81,4% dos homens possuem um telefone celular, entre as mulheres essa proporção chega a 74,8%.

Existe ainda outra desigualdade especialmente relevante para o mercado de trabalho do futuro: a participação feminina nas áreas STEM, sigla em inglês utilizada para ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

Apenas uma em cada três pessoas formadas nessas áreas entre meninas e mulheres jovens pertence ao gênero feminino, segundo os dados apresentados. Essa sub-representação pode se transformar em um problema econômico considerável à medida que as profissões tecnológicas ganham protagonismo.

As estimativas citadas apontam para um impacto que pode chegar a 500 bilhões de dólares nos próximos cinco anos devido às desigualdades relacionadas ao acesso e à participação digital das mulheres.

A questão, portanto, não pode ser analisada apenas como um problema de conectividade. Ela também afeta a produtividade, a inovação, a independência econômica e a capacidade dos países de desenvolver uma força de trabalho preparada para as novas indústrias.

Reduzir a desigualdade exige mais do que instalar conexões de internet

Governos, empresas, instituições de ensino e organizações sociais têm um papel central na ampliação da conectividade e no fortalecimento da alfabetização digital. No entanto, a responsabilidade não termina aí.

A internet também precisa se tornar um ambiente onde as mulheres possam participar sem ficarem constantemente expostas à discriminação, a comentários sexistas ou ao assédio virtual.

Denunciar essas condutas, promover espaços digitais seguros e aumentar a visibilidade de mulheres que ocupam posições de liderança tecnológica são algumas das medidas necessárias para modificar um cenário que começa a ser construído desde cedo.

Esse último ponto pode ser decisivo.

Em um mundo no qual a internet atravessa desde as relações pessoais até praticamente qualquer atividade profissional, meninas e adolescentes precisam conseguir se imaginar como programadoras, cientistas, engenheiras, especialistas em dados ou criadoras de novas tecnologias.

Para isso, será necessário romper estereótipos que ainda apresentam determinadas carreiras como predominantemente masculinas e desenvolver campanhas educativas capazes de apresentar diferentes referências.

A revolução tecnológica continuará avançando independentemente de quem participe dela. O verdadeiro desafio é impedir que essa transformação reproduza as desigualdades do passado justamente nas profissões que definirão o futuro.

[Fonte: PL]

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