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Tecnologia

Redwing: o robô submarino que está dando a volta ao mundo em uma missão histórica para compreender os oceanos

Cinco séculos após a viagem de Fernão de Magalhães, um robô autônomo da Universidade Rutgers embarca em sua própria jornada de circunavegação. O objetivo não é conquistar novas terras, mas decifrar os segredos das correntes oceânicas e prever os efeitos do clima global.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Em 1519, Fernão de Magalhães partia de Sevilha com uma frota de cinco navios e mais de duzentos homens para iniciar a primeira volta ao mundo. Três anos depois, apenas um barco retornou — mas a humanidade havia comprovado, pela primeira vez, a dimensão real do planeta.

Hoje, 500 anos depois, uma nova circunavegação tenta repetir o feito — desta vez, sem veleiros nem tripulação. O protagonista da jornada é o Sentinel Redwing, um robô submarino desenvolvido pela Universidade Rutgers, nos Estados Unidos, que pretende dar a volta completa ao globo de forma autônoma, em uma missão científica sem precedentes.

A primeira circunavegação da era robótica

Redwing Mapa
© Teledyne MarineRedwing

O Redwing foi lançado ao mar em 10 de outubro de 2025, na costa de Martha’s Vineyard, em Massachusetts. Seu objetivo é percorrer 56 mil quilômetros em cinco anos, coletando dados sobre temperatura, salinidade, profundidade e movimentos das correntes oceânicas.

Embora já existam robôs de pesquisa marítima, como o Icefin (usado para explorar o gelo antártico) e o Aquaai (que mede níveis de oxigênio e pH em rios e lagos), nenhum deles possui uma missão tão ambiciosa quanto o Redwing: mapear todos os oceanos do planeta de forma contínua e autônoma, criando um retrato tridimensional das águas profundas e fornecendo dados essenciais para prever tempestades e compreender o aquecimento global.

Seguindo o rastro das correntes oceânicas

A rota do Redwing segue o ritmo natural das correntes. Depois de cruzar o Atlântico Norte impulsionado pela Corrente do Golfo, ele seguirá em direção à Europa e às Ilhas Canárias, passando depois por Cidade do Cabo, no sul da África.

De lá, atravessará o oceano Índico rumo à Austrália Ocidental e Nova Zelândia, antes de mergulhar na Corrente Circumpolar Antártica, que contorna o continente gelado. O retorno incluirá escalas nas Ilhas Malvinas, Brasil e Caribe, encerrando o circuito no ponto de partida nos Estados Unidos.

O percurso é mais longo que o de Magalhães, que percorreu cerca de 85 mil quilômetros em três anos, mas o tempo extra se justifica: o robô fará paradas estratégicas para análise de dados e calibração de sensores, garantindo a precisão da missão científica.

Tecnologias que exploram o desconhecido

O Redwing incorpora sensores de última geração capazes de medir parâmetros químicos e biológicos em profundidades até agora inexploradas. Esses instrumentos permitem criar modelos tridimensionais do oceano, além de identificar animais marinhos marcados, revelando rotas migratórias e mudanças nos ecossistemas.

A cada oito a doze horas, o robô sobe à superfície para transmitir dados via satélite à rede global de monitoramento da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA). Apesar de seu design autônomo, o Redwing enfrentará desafios dignos das antigas expedições: evitar redes de pesca abandonadas, colisões com embarcações e condições extremas de marés e pressão.

Um salto na previsão climática

Os cientistas esperam que o Redwing seja apenas o primeiro de uma nova geração de exploradores robóticos, capazes de operar por anos em mar aberto. O impacto potencial é enorme: dados em tempo real sobre temperatura e correntes poderão melhorar a previsão de furacões e tempestades, enquanto o monitoramento contínuo do oceano Antártico e Pacífico ajudará a refinar os modelos de mudança climática.

Além disso, a detecção de ondas de calor marinhas e o rastreamento de migrações de peixes fornecerão informações essenciais para a conservação da vida marinha e a pesca sustentável.

Assim como a viagem de Magalhães redefiniu os limites do mundo conhecido, a jornada do Redwing promete expandir o horizonte da ciência. Se o navegador português provou que a Terra é redonda, o robô americano pode ser o primeiro a revelar, com precisão sem precedentes, o que realmente acontece nas profundezas que sustentam a vida no planeta.

 

[ Fonte: Meteored ]

 

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