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Ciência

Refrigerante zero pode ser pior para o fígado do que o normal, aponta novo estudo

Um novo estudo sugere que as versões “zero açúcar” dos refrigerantes podem ser ainda mais prejudiciais ao fígado do que as tradicionais. Beber apenas uma lata por dia estaria associado a um aumento de 60% no risco de desenvolver gordura no fígado, enquanto o consumo de refrigerantes comuns elevaria esse risco em 50%.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A descoberta, ainda não publicada em revista científica, foi apresentada na Semana Europeia de Gastroenterologia, em Berlim, e acende um alerta sobre os possíveis riscos das bebidas consideradas “mais saudáveis”.

A falsa sensação de segurança

A doença hepática gordurosa não alcoólica, também chamada de doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD), ocorre quando há acúmulo de gordura no fígado de pessoas que consomem pouco ou nenhum álcool. O quadro pode evoluir para cirrose e até câncer hepático, sendo hoje uma das principais causas dessa doença no mundo.

“As bebidas açucaradas há muito tempo estão sob escrutínio, enquanto suas alternativas diet são frequentemente vistas como escolhas seguras”, afirmou o autor principal do estudo, Lihe Liu, da Universidade de Soochow, na China.
“Nosso estudo mostra que mesmo em níveis modestos de consumo, como uma única lata por dia, as bebidas sem açúcar estão associadas a um risco significativamente maior de MASLD.”

Os pesquisadores também observaram maior risco de morte por doença hepática entre quem consome refrigerantes diet com frequência. As conclusões são baseadas em dados do UK Biobank, que acompanhou quase 124 mil pessoas por mais de 10 anos.

Água: a troca mais inteligente

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© Pexels

Durante o acompanhamento, os participantes relataram seus hábitos de consumo por meio de questionários alimentares. O estudo revelou que substituir refrigerantes — comuns ou zero — por água reduziu o risco de doença hepática em 13% para as bebidas açucaradas e em 15% para as diet.
Já trocar refrigerante comum por zero (ou o inverso) não trouxe nenhum benefício.

Segundo Sajid Jalil, professor da Escola de Medicina de Stanford que não participou da pesquisa, o estudo oferece uma das evidências mais fortes até agora de que ambos os tipos de refrigerante são prejudiciais ao fígado.
“Tanto as versões tradicionais quanto as diet podem causar dano hepático a longo prazo”, explicou. “Já a água, além de hidratar, protege o metabolismo e o fígado.”

Como o refrigerante afeta o fígado

No caso das bebidas açucaradas, o mecanismo é bem conhecido: altas doses de açúcar elevam rapidamente os níveis de glicose e insulina no sangue, favorecendo o ganho de peso e o acúmulo de gordura hepática.

Mas e as versões “zero”? Liu explica que, apesar de conterem poucos ou nenhum carboidrato, elas ainda podem alterar o microbioma intestinal, interferir na saciedade e aumentar o desejo por doces, além de estimular a secreção de insulina — efeitos que também impactam negativamente o metabolismo.

“A água, por outro lado, hidrata sem alterar processos metabólicos e ajuda na saciedade, apoiando a função geral do fígado”, afirmou a pesquisadora.

Um problema crescente

Gaseosa
© Alexandra Nosova- Unsplash

O número de casos de MASLD vem aumentando em todo o mundo, impulsionado pelo sedentarismo e pela alimentação industrializada. Segundo a Organização Mundial da Saúde, uma em cada quatro pessoas pode ter algum grau de gordura no fígado, muitas vezes sem saber.

Os autores do estudo defendem que as descobertas devem levar a uma reavaliação das recomendações dietéticas, especialmente para quem consome refrigerantes diet diariamente acreditando estar fazendo uma escolha mais saudável.

“Esses resultados desafiam a percepção comum de que as bebidas zero são inofensivas e destacam a necessidade de reconsiderar seu papel na dieta e na saúde do fígado”, concluiu Liu.

 

[ Fonte: CNN Brasil ]

 

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