O reconhecimento oficial da Palestina
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, deve anunciar neste domingo o reconhecimento oficial do Estado da Palestina, segundo adiantaram veículos de imprensa do Reino Unido. Trata-se de um passo considerado histórico, em meio à escalada da violência em Gaza e ao impasse diplomático que se arrasta há décadas.
Starmer já havia declarado em julho que tomaria essa decisão em setembro caso Israel não cumprisse certas condições, como a implementação de um cessar-fogo e a garantia de não anexar a Cisjordânia. Nenhum dos pontos foi atendido. Pelo contrário, a ofensiva israelense na Faixa de Gaza se intensificou, resultando em mais de 65 mil mortos, de acordo com números do Ministério da Saúde local.
Acusações de genocídio
O anúncio ocorre em um contexto delicado. No início desta semana, uma comissão de investigação da ONU concluiu que Israel cometeu genocídio contra a população palestina. Essa conclusão elevou a pressão internacional sobre o governo israelense e fortaleceu vozes que pedem maior reconhecimento político para a Palestina.
O gesto britânico, portanto, não acontece no vazio: é parte de uma crescente onda de cobranças por uma solução de dois Estados, vista como única alternativa viável para encerrar décadas de conflito.
Reações internacionais e dilemas internos
A decisão de Londres surge logo após a visita de Estado do presidente norte-americano Donald Trump, que manifestou abertamente sua discordância em relação a Starmer. O primeiro-ministro também enfrenta forte pressão de famílias de reféns israelenses em Gaza, que pediram que a medida fosse adiada até a libertação de seus entes queridos.
Para rebater as críticas de que o reconhecimento representaria uma “recompensa para o Hamas”, o governo britânico deve anunciar simultaneamente novas sanções contra o grupo islâmico. O vice-primeiro-ministro David Lammy, em entrevista à BBC, reforçou a posição oficial: “Um Estado palestino é uma causa justa”, disse, destacando que o Hamas não representa o povo palestino.
Um movimento em sintonia com outros países
O Reino Unido não estará sozinho nessa guinada diplomática. Portugal deve anunciar neste domingo a mesma decisão, enquanto França, Canadá e Austrália já sinalizaram que pretendem reconhecer a Palestina antes da abertura da Assembleia Geral da ONU.
Para os defensores da medida, trata-se de um passo essencialmente simbólico, mas com enorme relevância política. Ainda que não altere de imediato a realidade no terreno, o reconhecimento mantém viva a esperança de que a solução de dois Estados volte a ser considerada seriamente no cenário internacional.