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Ciência

Robôs submarinos com IA entram em ação para limpar o “lixo invisível” do fundo do mar — e podem até detectar minas esquecidas

Um projeto financiado pela União Europeia está testando uma frota de drones e robôs submarinos capazes de identificar e remover resíduos do fundo do oceano. A tecnologia promete reduzir riscos humanos e atacar um problema ignorado: a poluição que não vemos — mas que continua crescendo.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A poluição marinha costuma ser associada a imagens de plástico flutuando na superfície. Mas a maior parte do problema está escondida nas profundezas. Agora, a União Europeia aposta em uma solução futurista: robôs inteligentes capazes de limpar o fundo do mar de forma autônoma e segura.

Um problema gigante — e invisível

Grande parte do lixo que chega aos oceanos não permanece na superfície. Ele afunda e se acumula no fundo marinho, onde se torna praticamente invisível.

Segundo Bart De Schutter, professor da Universidade Tecnológica de Delft e coordenador do projeto, esse acúmulo representa um risco ambiental significativo. Com o tempo, materiais como o plástico se degradam e se transformam em microplásticos — partículas minúsculas que já estão presentes em praticamente todos os ecossistemas do planeta.

Apesar disso, poucos projetos focam nessa camada mais profunda do problema.

A aposta europeia: o projeto SeaClear 2.0

Para enfrentar esse desafio, a União Europeia está financiando o projeto SeaClear2.0, uma evolução de uma iniciativa anterior que já testava tecnologias semelhantes.

A proposta é ambiciosa: criar um sistema integrado de drones e robôs submarinos capazes de detectar, identificar e remover resíduos do fundo do mar de forma quase autônoma.

A iniciativa faz parte de um plano maior da UE que pretende reduzir pela metade a quantidade de lixo marinho até 2030.

Como funciona a limpeza com robôs

O sistema desenvolvido combina diferentes tecnologias trabalhando em conjunto.

Primeiro, embarcações de superfície não tripuladas são enviadas para a área de operação. Em seguida, drones aéreos fazem o mapeamento inicial, identificando possíveis pontos de acúmulo de lixo.

Depois disso, entram em ação os robôs submarinos, equipados com inteligência artificial. Eles são capazes de reconhecer objetos como garrafas, pneus, estruturas metálicas e até partes de embarcações, diferenciando-os de elementos naturais como rochas e vegetação marinha.

Os resíduos podem ser recolhidos de diferentes formas: agarrados por braços robóticos, aspirados ou içados com auxílio de guindastes inteligentes.

Um “caminhão de lixo” no mar

Um dos elementos mais curiosos do projeto é a criação de uma embarcação autônoma que funciona como um verdadeiro caminhão de lixo flutuante.

Esse sistema coleta os resíduos reunidos pelos robôs e os transporta de volta à costa, onde podem ser descartados ou reciclados de forma adequada.

Durante os testes, os pesquisadores já conseguiram remover pneus, cercas metálicas e fragmentos de barcos — objetos que seriam difíceis e perigosos de retirar manualmente.

Mais segurança — e menos mergulhadores em risco

Tradicionalmente, a limpeza do fundo do mar depende de mergulhadores. Esse processo é caro, lento e envolve riscos significativos, especialmente ao lidar com objetos pesados ou estruturas instáveis.

A automação proposta pelo SeaClear2.0 busca eliminar essa necessidade, tornando as operações mais seguras e eficientes.

Além disso, os robôs podem operar por períodos mais longos e em condições que seriam inviáveis para humanos.

Um uso inesperado: detectar minas submersas

Além da limpeza ambiental, os pesquisadores estão explorando uma aplicação adicional para a tecnologia: a detecção de minas submarinas não detonadas.

Esses artefatos, remanescentes de conflitos passados, ainda representam risco em diversas regiões do mundo.

Se adaptados para essa função, os robôs poderiam ajudar não apenas na preservação ambiental, mas também na segurança marítima.

Tecnologia promissora — mas ainda em evolução

Apesar dos avanços, os próprios desenvolvedores reconhecem que o sistema ainda precisa ser aperfeiçoado.

Testes já foram realizados em locais como Marselha, na França, e em áreas da Alemanha. Novas etapas estão previstas em cidades como Veneza, Dubrovnik e Tarragona.

A expectativa é que, até o final de 2026, a tecnologia esteja pronta para ser utilizada em larga escala por autoridades locais em toda a Europa.

Uma nova fronteira na limpeza dos oceanos

O projeto SeaClear2.0 mostra como a combinação de robótica, inteligência artificial e sustentabilidade pode abrir caminhos inéditos para enfrentar problemas antigos.

Limpar o oceano sempre foi um desafio — mas limpar aquilo que nem conseguimos ver é ainda mais complexo.

Agora, com a ajuda de máquinas inteligentes, essa tarefa começa a sair do campo da ideia e entrar na prática.

 

[ Fonte: Euronews ]

 

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