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Ciência

Rússia testa os limites da vida no espaço — e traz de volta ratos, moscas e respostas inesperadas

Uma cápsula russa passou um mês orbitando a Terra com 75 ratos e 1.500 moscas a bordo. O objetivo era medir o impacto da radiação espacial, mas o retorno revelou histórias surpreendentes: mortes por brigas de grupo, novas gerações de insetos e até um pouso turbulento com direito a incêndio na estepe.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Poucos experimentos lembram tanto os primórdios da corrida espacial quanto enviar animais em missões orbitais. Se Laika, a cadela soviética, virou ícone dos anos 1950, a Rússia mostra que ainda aposta nessa estratégia para entender os riscos de viver fora da Terra. A missão Bion-M 2, realizada por Roscosmos, acaba de retornar após um mês em órbita — e trouxe dados cruciais para o futuro da exploração humana, além de algumas surpresas curiosas.

Uma cápsula esférica em órbita polar

Lançada para dar voltas de polo a polo em torno do planeta, a cápsula Bion-M 2 transportava sementes, culturas celulares, 1.500 moscas e 75 ratos machos. A escolha não foi aleatória: a trajetória expôs os passageiros a uma radiação 33% maior que a vivida por astronautas da Estação Espacial Internacional (ISS). O objetivo era estudar como organismos vivos resistem a condições mais agressivas, preparando o terreno para a futura estação espacial russa, a ROS, e para missões a Marte e à Lua.

Ratos sobrevivem, mas com baixas internas

Dos 75 ratos enviados, 65 retornaram vivos. O dado animou os cientistas, já que, segundo Oleg Orlov, responsável pela missão, as mortes não foram provocadas pela radiação, mas sim por “conflitos de grupo”. A explicação: os roedores se tornaram agressivos e acabaram brigando entre si.

O saldo foi considerado um sucesso em comparação com a primeira missão Bion-M, em 2013, quando falhas nos sistemas de suporte de vida causaram a morte de 29 dos 45 ratos enviados.

Moscas espaciais ganham netos em órbita

As 1.500 moscas embarcadas também protagonizaram um feito curioso. Elas pertencem à sétima geração de um experimento iniciado na ISS, e, durante a Bion-M 2, surgiram a nona e a décima geração. Isso mostra que os insetos conseguem se reproduzir com sucesso em condições de microgravidade e radiação ampliada — um dado relevante para pesquisas genéticas e de biologia espacial.

Um pouso turbulento na estepe

O retorno à Terra não foi suave. A cápsula, com formato esférico e sem sistemas de amortecimento de impacto como os usados em naves tripuladas, atingiu o solo com violência na região de Oremburgo. O choque provocou até um pequeno incêndio na estepe, rapidamente controlado pelas equipes de resgate.

Apesar do susto, os cientistas já analisam os ratos e moscas sobreviventes, além das amostras vegetais e celulares.

Um passo para missões de longo alcance

A Rússia aposta que os dados da Bion-M 2 serão fundamentais para projetar sistemas de proteção em viagens de longa duração, como futuras missões à Lua e a Marte. Para Roscosmos, compreender como pequenos organismos reagem à radiação e ao estresse do espaço é o primeiro passo antes de colocar mais humanos em jornadas semelhantes.

O legado de Laika, portanto, continua vivo — agora em forma de ratos briguentos e moscas que se multiplicam em gravidade zero.

 

[ Fonte: TN ]

 

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