Decreto confirma aumento acima da inflação
O reajuste foi confirmado pelo Decreto nº 12.797, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com a mudança, o salário mínimo sobe dos atuais R$ 1.518 para R$ 1.621, um acréscimo de R$ 103, equivalente a quase 7% de alta.
Quem recebe salário mínimo ou benefícios atrelados a ele — como seguro-desemprego e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) — já sentirá o impacto no bolso nos pagamentos feitos em fevereiro, referentes a janeiro.
O que é o salário mínimo e por que ele importa

O salário mínimo é o menor valor que um trabalhador formal pode receber no Brasil. A Constituição determina que ele deve garantir condições básicas de sobrevivência, como moradia, alimentação, saúde, educação e transporte, além de preservar o poder de compra com reajustes periódicos.
Na prática, o piso funciona como referência econômica para milhões de brasileiros. Segundo o Dieese, cerca de 59,9 milhões de pessoas têm rendimentos direta ou indiretamente vinculados ao salário mínimo, incluindo aposentadorias e benefícios sociais.
Para efeito de comparação, o próprio Dieese calcula que o salário mínimo “ideal” para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ter ultrapassado R$ 7 mil no fim de 2025 — bem acima do valor oficial.
Como o governo chegou aos R$ 1.621
Se o reajuste considerasse apenas a inflação, medida pelo INPC acumulado em 12 meses até novembro (4,18%), o salário mínimo subiria para algo próximo de R$ 1.582.
Mas o governo Lula retomou a chamada política de valorização do salário mínimo, que garante aumento real acima da inflação. A regra combina dois fatores:
- inflação medida pelo INPC;
- crescimento do PIB de dois anos antes.
O crescimento econômico de 2024 foi de 3,4%, o que levaria o mínimo a R$ 1.636. No entanto, uma lei aprovada em dezembro impôs um teto de 2,5% para o ganho real, alinhado ao novo arcabouço fiscal.
Na prática, o cálculo final ficou assim: 4,18% de inflação + 2,5% de aumento real, resultando nos R$ 1.621 para 2026.
Impacto direto no bolso — e nas contas públicas
O aumento do salário mínimo melhora o poder de compra e impulsiona o consumo, especialmente em cidades menores, onde a economia gira em torno de renda previdenciária e salários mais baixos. Esse efeito multiplicador é um dos principais argumentos a favor da valorização do piso.
Mas há um alerta fiscal importante. Cada R$ 1 de aumento no salário mínimo gera cerca de R$ 420 milhões em novas despesas obrigatórias para o governo federal. Com o reajuste de R$ 103, o impacto estimado para 2026 é de R$ 43,2 bilhões.
Isso acontece porque benefícios previdenciários, abono salarial e seguro-desemprego não podem ser inferiores ao salário mínimo. Com mais gastos obrigatórios, sobra menos espaço para despesas discricionárias — aquelas usadas em políticas públicas, investimentos e programas sociais.
Debate continua
Economistas seguem divididos. Enquanto uns defendem a valorização do salário mínimo como ferramenta de redução da desigualdade, outros alertam para o risco de pressão sobre a dívida pública e os juros.
O fato é que o novo valor já está definido. Entenda, acompanhe e veja como o salário mínimo de R$ 1.621 vai influenciar tanto o seu bolso quanto as decisões econômicas do país em 2026.
[Fonte: G1 – Globo]