Sam Altman, figura central na corrida da inteligência artificial, está mirando além do planeta. Segundo o Wall Street Journal, o CEO da OpenAI discutiu ao longo de 2024 a possibilidade de investir bilhões de dólares na Stoke Space, startup de Seattle especializada em foguetes reutilizáveis, com o objetivo de adquirir uma participação de controle. Nenhum acordo foi fechado, mas as conversas, que começaram no meio do ano e se intensificaram no outono, mostram um plano ousado: lançar data centers de IA no espaço.
A corrida espacial da IA
A motivação para o interesse de Altman é clara. Os Estados Unidos já abrigam mais de 5.000 data centers, e a explosão da inteligência artificial está ampliando essa necessidade em ritmo acelerado. Segundo projeções do Goldman Sachs, a demanda energética dessas instalações pode subir 50% até 2027 e 165% até 2030.
O impacto ambiental e a pressão sobre as redes elétricas já são enormes — e aumentarão ainda mais conforme modelos de IA se tornam maiores e mais caros de rodar.
Em um podcast recente, citado pela Wired, Altman reconheceu esse limite:
“Acho que grande parte do mundo acabará coberto por data centers. Mas talvez coloquemos alguns no espaço.”
Sua declaração reforça a busca por alternativas radicais. Entre elas está a própria ideia, já comentada por Altman, de construir uma Esfera de Dyson — uma megestrutura teórica capaz de capturar grande parte da energia solar para alimentar sistemas computacionais.
Como funcionaria um data center espacial?
O plano imaginado por Altman envolve lançar módulos computacionais que se alimentariam diretamente da energia solar no espaço, evitando o impacto ambiental terrestre e eliminando a necessidade de infraestrutura elétrica local.
Colocar data centers em órbita também abriria possibilidades como:
- exposição contínua ao Sol para captação energética,
- resfriamento facilitado pelo vácuo espacial,
- isolamento de riscos ambientais e de rede.
Mas exigiria foguetes baratos e totalmente reutilizáveis — algo que empresas como a SpaceX vêm aprimorando há anos.
Por que a Stoke Space entrou no radar?
A Stoke Space está desenvolvendo o Nova, um foguete totalmente reutilizável de médio porte, pensado como concorrente direto do Falcon 9 da SpaceX. Para Altman, controlar uma empresa assim daria a autonomia necessária para seus planos espaciais de IA.
Além de viabilizar seus data centers orbitais, esse movimento colocaria Altman em rota ainda mais direta de competição com Elon Musk, com quem mantém uma longa disputa sobre os rumos da OpenAI e da tecnologia de IA.
Um investimento desse porte permitiria a Altman entrar de cabeça no setor aeroespacial, ampliando sua influência para além da fronteira atual de Big Tech — e possivelmente acirrando ainda mais o conflito com Musk.
Vai acontecer?
Por enquanto, o acordo entre Altman e a Stoke Space não avançou para um fechamento. Os planos de colocar data centers no espaço ainda estão no terreno das ambições futuristas, mas o interesse real e o contexto energético mostram que a ideia não é tão absurda quanto parece.
À medida que a demanda por IA cresce em escala planetária, a pergunta deixa de ser “por que?” e passa a ser “quando e como?”. Se depender de Sam Altman, a próxima revolução da IA pode não acontecer na Terra — mas em órbita.