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Ciência

Sementes africanas vão ao espaço para revelar como plantas podem sobreviver fora da Terra

Pela primeira vez, sementes de uma planta nativa da África serão enviadas à Estação Espacial Internacional para estudar os efeitos da microgravidade e da radiação. A pesquisa pode abrir caminho para a produção sustentável de alimentos em futuras missões espaciais.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Cultivar alimentos no espaço é um dos grandes desafios para missões de longa duração e futuras bases na Lua ou em Marte. Em busca dessa resposta, cientistas enviarão sementes de rooibos, uma planta típica da África do Sul, para a Estação Espacial Internacional (ISS) em outubro. O objetivo é descobrir como elas reagem à microgravidade e à intensa radiação espacial, além de avaliar se podem contribuir para sistemas agrícolas fora da Terra.

A iniciativa marca um feito inédito: será a primeira vez que sementes de uma espécie nativa sul-africana — e também do continente africano — viajarão ao espaço para esse tipo de experimento.

Rooibos será testado em ambiente espacial

As sementes permanecerão na Estação Espacial Internacional por pelo menos seis semanas, armazenadas em um nanolaboratório ao lado de mais de uma dúzia de experimentos desenvolvidos por estudantes dentro de um programa voltado para educação em ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM).

Segundo o Conselho Sul-Africano do Rooibos (SARC), o principal objetivo é expor o material vegetal à microgravidade e à radiação cósmica para entender como essas condições extremas afetam seu desenvolvimento.

De acordo com Dawie de Villiers, diretor do SARC, trata-se das primeiras sementes de uma planta nativa da África do Sul — e de toda a África — a participarem de uma missão desse tipo.

Após o retorno à Terra, previsto entre dezembro e janeiro, os pesquisadores plantarão as sementes espaciais ao lado de um grupo de controle que permaneceu no planeta. Os estudantes irão comparar taxas de germinação, velocidade de crescimento e possíveis alterações no desenvolvimento das plantas.

Planta tem importância econômica para a África do Sul

O rooibos é uma infusão naturalmente livre de cafeína produzida a partir de uma planta que cresce exclusivamente em determinadas regiões da África do Sul.

O país produz cerca de 22 mil toneladas da planta por ano. Aproximadamente metade desse volume é consumida internamente, enquanto o restante é exportado para mais de 50 países, incluindo Japão, França, Alemanha, Países Baixos e Reino Unido.

Desde 2021, o rooibos também conta com uma Indicação Geográfica Protegida reconhecida pela União Europeia. Isso significa que apenas folhas cultivadas na região de Cederberg podem ser comercializadas oficialmente com esse nome dentro do bloco europeu.

Outra missão levará sementes de uva para a ISS

O estudo com o rooibos não será o único experimento agrícola em órbita.

Pesquisadores da Texas A&M University também enviarão sementes de uva para a Estação Espacial Internacional. Nesse caso, elas permanecerão cerca de seis meses no ambiente espacial para investigar como a radiação cósmica influencia seu material genético.

Quando retornarem à Terra, as sementes serão cultivadas ao lado de um grupo de controle no vinhedo da AgriLife Research, localizado no Thomas Ranch, no Texas.

Os cientistas irão analisar o crescimento das videiras, a produtividade, a quantidade de uvas produzidas e possíveis mudanças genéticas provocadas pela permanência no espaço.

Segundo Justin Scheiner, especialista em viticultura e professor associado de Ciências Hortícolas da Texas A&M, as primeiras colheitas deverão ocorrer entre quatro e cinco anos após o plantio.

Projeto pode ajudar a criar novas variedades agrícolas

A pesquisa integra a missão TAMU-SPIRIT, sigla em inglês para Plataforma Espacial Multiuso para Integração de Pesquisa e Tecnologia Inovadora. Desenvolvido em parceria entre a Texas A&M e a Aegis Aerospace, o programa transforma a Estação Espacial Internacional em um verdadeiro laboratório orbital para experimentos científicos e tecnológicos.

O envio das sementes surgiu a partir da iniciativa dos estudantes Coby Arnold e Arvind Subramanyam, do Departamento de Engenharia Aeroespacial. Com orientação de Justin Scheiner, eles desenvolveram um compartimento especial para proteger as sementes durante a viagem.

Essa proteção é considerada essencial, já que a radiação espacial pode comprometer a viabilidade das sementes caso elas permaneçam totalmente expostas.

Ainda assim, parte da pesquisa depende justamente desse ambiente extremo. Os cientistas acreditam que a exposição prolongada à radiação pode provocar mutações genéticas naturais. Após o retorno das sementes, a equipe investigará se essas alterações ocorreram e se poderão contribuir para o desenvolvimento de variedades agrícolas mais resistentes — tanto para futuras missões espaciais quanto para aplicações aqui na Terra.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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